Capítulo 13
Entrei voando em casa, o coração acelerado, a calcinha grudando na pele de tão dura com a lubrificação seca. Minha periquitinha estava um caos, cremosa, latejando, mas não era de prazer — era só um eco do que aconteceu antes. Eu tinha dado uns pegas deliciosos com o meu meio-irmão, mas, porra, faltou química. O tesão estava ali, o corpo dizia sim, mas algo não encaixava. Talvez fosse o jeito dele, talvez fosse eu. Não sabia e, sinceramente, preferi não pensar muito nisso.
Cruzei a sala a passos rápidos, só querendo me enfiar debaixo do chuveiro, tirar inhaca do quarto do Matheus de mim. Mas antes que eu alcançasse o corredor, veio o berro que me gelou a espinha.
— Júlia, a gente precisa conversar!
Puta merda. Me fudi. Era a minha mãe!
Parei no meio do caminho, o corpo travado, o coração disparando mais rápido que antes. O que foi agora? Será que a Mariana vacilou e minha mãe descobriu alguma coisa? Será que deixei escapar um detalhe?
Engoli seco e forcei um tom casual.
— O que foi, mãe?
Segui até a cozinha e encontrei ela sentada à mesa, sozinha, descascando batatas como quem finge estar calma. Mas o olhar, aquela cara fechada, dizia tudo. Quando minha mãe estava assim, podia saber: vinha merda pro meu lado.
Ela largou a faca sobre a tábua, cruzou os braços e me analisou dos pés à cabeça.
— Minha filha, olha só, você já é uma mulher. E eu tenho visto a senhorita andando pra cima e pra baixo sem modos nenhum. Você não vê que sempre tem um monte de homem dentro dessa casa?
Eu fiquei branca na hora. Ah, não… Aonde ela queria chegar com isso?
— Pera aí, mãe, do que a senhora tá falando? De onde surgiu essa conversa agora?
Meu coração disparou. Claro que essa merda tinha dedo do filho da puta do meu padrasto. Ele deve ter feito alguma reclamação. E também, né? Eu dei ousadia pra ele, provoquei, brinquei. Pra piorar, ele me pegou no flagra enquanto eu me tocava e eu ainda taquei mais fogo. Mas óbvio que minha mãe não ia dizer que foi ele quem reclamou.
— É, minha filha… — Ela suspirou, olhando para o nada, como se já tivesse ensaiado aquele discurso mil vezes. — Você já é uma mulher feita. Seus primos, seu padrasto, os filhos dele… Essa casa tá sempre cheia de homem. E você fica andando por aí de camisola, como se não tivesse ninguém vendo. Isso não pode!
Eu revirei os olhos com tanta força que quase vi meu próprio cérebro.
— Ah, mãe, pede desculpa a eles então! — soltei, o sarcasmo escorrendo da minha boca. — Pensei que essa casa fosse minha, sabe? Pensei que eu pudesse andar à vontade! Mas pode ficar tranquila, tá? Vou providenciar uma burca pra eu andar dentro da minha própria casa!
Ela arregalou os olhos, surpresa com minha ousadia. Mas eu não parei. O sangue subiu à cabeça, a língua ficou afiada, e antes que pudesse me segurar, soltei a bomba:
— E tem mais! Fala pro seu namorado, o velho tarado, parar de olhar pros meus peitos e ficar me vigiando quando eu tô dentro do meu quarto!
O silêncio que se seguiu foi o tipo de silêncio que precede um furacão. Minha mãe ficou branca, depois vermelha, depois de um tom que eu nunca tinha visto antes. E eu soube, no mesmo instante, que tinha fodido com tudo.
O tempo de eu virar as costas foi só o tempo dela tomar um ar antes do berro.
— JULIAAAAAAAA!!!!!! VOLTA AQUI!
Mas eu já tinha dado as costas e disparado para o corredor, pronta pra trancar a porta do meu quarto antes que ela me pegasse.
— O QUE A SENHORA QUER DIZER COM ISSO?!
A voz dela ecoou pela casa inteira, e logo vieram os murros na porta.
BAM! BAM! BAM!
Meu coração batia tão forte quanto os golpes dela. Meu peito subia e descia, a respiração curta, enquanto eu encarava a maçaneta, esperando o próximo ataque.
— ABRE ESSA PORRA AGORA, JULIA!
— PARA SENÃO EU VOU LIGAR PARA O MEU PAI! — gritei de volta.
Eu jamais poderia fazer isso. Meu pai não se importava muito com a gente, mas, sei lá, vai que ele resolveria bancar o macho.
Mas aquilo foi o suficiente para minha mãe parar de esmurrar a porta. Do lado de dentro, eu só ouvia os palavrões ecoando pela casa. O nervosismo ainda queimava no meu peito, minhas mãos estavam tremendo. Me joguei na cama, tentando respirar fundo, mas não adiantava.
Em um ato inconsciente para me acalmar, peguei o telefone. A tela piscava com notificações.
Algumas mensagens. Número desconhecido.
Ah, ótimo. Agora que minha mãe nunca mais vai me deixar sair de casa, esse cara resolve aparecer.
Eu precisava deixar aquilo para depois. Tirei os flagrantes da mochila e preparei a roupa para tomar banho. Mas tinha um problema: eu teria que sair do quarto, e o inimigo estava do lado de fora, provavelmente com o cinto na mão, pronto para marcar minhas pernas.
Eu mereci. Poderia ter ficado quieta.
Para ganhar tempo, decidi responder as mensagens.
“Oi!”
“É o carinha do ônibus, consegui pegar o carro!”
“Tudo bem?”
Lá vem ele falar de carro de novo, sem eu querer saber.
“E awe! Tutu bom?” — respondi, sem muita paciência.
“E aí, o que você curte fazer quando sai?”
A conversa se desenrolou naquele papo trivial de gente que se conhece há pouco tempo. Ele disse que estava na faculdade, mas parecia que só cursava Chopada 1, 2 e 3 no semestre. Só falava disso e do carro.
Mas, pelo menos, ele era divertido.
Devo ter ficado pelo menos uma hora e meia com ele no telefone. Tempo suficiente para a raiva dela esfriar e eu criar coragem para pedir desculpas à minha mãe.
Então não satisfeita, fui lá e fiz a segunda besteira do dia.
A conversa foi ficando mais picante, e ele veio com essa:
“A gente podia marcar de ir para a Lapa, depois, sei lá, ir para minha casa…”
Transar… Ele queria transar.
Ele estava fazendo o papel dele de homem, tinha atitude, não era mole igual ao Pedro e tinha mais química que o Matheus. E eu, burra, fui falar o que não devia.
“Eita, minha mãe não vai deixar eu ir pra Lapa sozinha, e eu sou virgem, moço, faço essas coisas não.”
O silêncio que veio depois foi mortal.
Ele me deixou mais de dez minutos no vácuo.
— Só falta esse cara me dar um ghosting agora… — pensei, quase chorando. — Responde, filho da puta! Que ódio do caramba, eu sou muito burra! Ahhhhhhhhh!!!!!!!!!!!!
Quando a lágrima estava prestes a escorrer, o celular vibrou.
“Perdão pela demora, a comida chegou e eu tive que descer pra receber, mas fica tranquila, tudo no seu tempo. Me fala aí pra onde você pode ir… e quanto a ir lá pra casa, sei lá, a gente pode só ficar de boas. Queria te dar uns beijinhos.”
A julinha da Julinha latejou na hora! Eu estava na jogada novamente!