Capítulo 23
Quando foi de noitinha, o Otávio apareceu lá em casa, todo casual, dizendo que não sabia do Pedro. Óbvio que sabia, mas a gente fez questão de fingir que acreditava pra não dar muito na cara. Minha mãe ainda tava correndo de um lado pro outro se arrumando, e eu juro que nunca vi ela tão emperiquitada. Eu não sei que diabo de show era esse que ela ia com a minha tia, mas devia ser coisa grande, porque tava caprichando demais. Mas tudo bem, deixa ela se divertir, porque precisa mesmo.
A gente tinha que manter a pose. Se a Mariana ficasse de graça com o Otávio logo de cara, minha mãe ia maldar. Então, ele ficou na sala vendo jogo na TV com o pai da Mariana, e a gente subiu pro quarto.
Assim que fechamos a porta, já fui direto no assunto.
— Mariana, tu é virgem, tá certa de que vai querer fazer com o Otávio?
Ela deu de ombros, jogando o corpo na cama.
— Ah, eu não quero morrer virgem, não.
Ri da falta de romantismo dela. Bem a cara da Mariana, prática até na hora de perder o cabaço.
— Tu tem camisinha?
— Tenho duas. Tu tem mais?
Fui no meu armário e puxei um pacotinho.
— Ganhei na escola. Mas eu pretendo usar…
Ela arqueou a sobrancelha, me encarando.
— Pretende? Mudou de opinião?
Fiquei em silêncio por um segundo. Eu mesma não sabia. Suspirei, jogando as camisinhas de volta no armário.
— Não sei, mas se eu for fazer, eu tenho que ter, né?
A Mariana riu e então fez uma cara de surpresa.
— Agora que me dei conta… A gente vai perder a virgindade no mesmo dia e hora, prima!
Nos encaramos por um segundo e, do nada, começamos a comemorar feito duas idiotas. Parecia que tínhamos ganhado um prêmio, ficamos pulando e rindo, como se aquilo fosse algum tipo de conquista.
Depois, caímos sentadas na cama, pegando fôlego.
— Tá, agora vamos forrar a mesa pro jogo de Uno — falei.
Ela riu, sabendo que aquilo era a maior mentira da noite. Esse jogo nunca ia acontecer.
Minha mãe finalmente estava pronta e, antes de sair, fez uma verdadeira palestra. Soltou uma lista infinita de exigências e alertas, falando sobre minha responsabilidade, pedindo pra eu verificar a casa, não fazer besteira, e, do nada, meteu um “não use drogas!” no meio. Meu tio, pai da Mariana, só ria dos exageros dela, acenando com a cabeça como se aquilo tudo fosse necessário.
— Tá bom, mãe, vai logo antes que o show acabe! — resmunguei, empurrando ela pra fora.
Assim que ela passou pelo portão e sumiu, a transformação aconteceu. Mariana e Otávio, que até ali estavam comportadinhos, se jogaram um no outro sem nem disfarçar. Eu nem tive tempo de processar. Quando olhei de novo, eles já estavam se pegando na minha frente, ali na sala mesmo.
E não era só um beijinho besta, não. Era beijo quente, beijo de verdade, daqueles que fazem barulho. A porra de um beijo que dava até pra sentir o gosto da pegação no ar. Mariana já estava no colo do Otávio, as pernas em volta dele, o corpo encaixado direitinho. E se esfregando de um jeito que, meu Deus! Olhei pro lado e fiz o que qualquer pessoa com um mínimo de amor-próprio faria: peguei meu celular e liguei pro Pedro.
Se a Mariana ia meter o pé pro meu quarto e me deixar chupando dedo, eu já tava me preparando pro plano B. Mas, mesmo com o telefone no ouvido, meus olhos continuavam ali, na putaria escancarada na minha sala.
Ela tinha a mão enfiada por baixo da blusa dele, arranhando a barriga devagar, aquele carinho safado que mulher faz quando já tá imaginando onde a mão vai parar depois. Otávio, por outro lado, já tava atacando o peito dela, dando uns beijos no pedacinho de pele que ficava pra fora do top, descendo devagarzinho, como se quisesse empurrar o tecido com a boca.
E eu? Eu tava ficando quente só de ver aquilo.
O pior é que ela nem devia se dar conta do quanto tava esfregando a ximbica no pau dele. Tipo, na cara dura. Ela rebolava devagar, jogando o quadril pra frente, pressionando sem pudor nenhum. E eu só pensava: “Mariana, minha filha, o menino já tá em desespero, daqui a pouco
Passou meia hora e nada. Mariana me olhou com aquela cara de “E agora? Posso ir fuder?” e eu só levantei, indo pra cozinha. Ela, que já tava esperta, veio no meu rastro.
Lá, tivemos que mudar os planos.
— E ele, nada? — perguntei, jogando as mãos na cintura.
— Nada! Não atende essa merda. Tô ligando desde cedo e nada! Liguei pra casa dele, pra ele, pro pai, ninguém sabe onde esse infeliz tá!
— Que estranho…
Foi quando o telefone tocou.
— É ELE! — Mariana quase gritou.
Olhei pro celular esperançosa e meti no viva-voz.
— Oi, mocinha, tudo bem? Voltei mais cedo de viagem, pensei em te ver.
— Oi, moço, tudo bom?
Mariana me olhou em choque, abrindo a boca tipo um peixe fora d’água, completamente sem rumo. Nem ela sabia o que fazer. Uma nova opção tinha acabado de aparecer na minha frente.
— Sua mãe não deixaria você sair pra comer uma pizza comigo?
— Ela saiu, foi pro show com meu tio e só volta amanhã. Deve nem estar atendendo o telefone…
Mariana arregalou os olhos e sussurrou tão alto que parecia um grito abafado:
— Sua burra, ele vai querer vir pra cá!
Tapei o microfone do celular e segurei o riso.
— Moço, peraí um segundo…
Apertei o botão de mudo e virei pra Mariana.
— Ah, Pedro não vem mesmo!
— Mas e se vier? Tu vai dar o cu pra um e a boceta pro outro, jumenta?
Comecei a rir alto.
— Tu tá tentando me incentivar com isso?
— Caralho… se o Pedro aparecer, ele vai ficar puto. E o moço do ônibus vai saber que tu tem um lance com o Pedro!
Foi aí que tive uma ideia.
Desmutei o telefone e, com a voz mais falsa e convincente do mundo, soltei:
— Então… eu poderia te chamar pra vir pra cá, mas tenho um primo, sabe? A gente ficava e ele, coitado, acha que ainda tem chances comigo. Se te ver aqui, vai ficar mega triste.
Mutei de novo e olhei pra Mariana, sorrindo vitoriosa.
— Se Pedro aparecer, eu não atendo a porta.
Mariana revirou os olhos, putíssima.
— Aí ele liga pra tua mãe, idiota.
Minha cara desmanchou na hora.
— Ah, é…
Ela cruzou os braços.
— E o Otávio vai contar pro Pedro que você estava dando pra outro.
Puta que pariu, agora a merda tava feita.
Demutei novamente o telefone.
— Desculpa, é que minha prima tá aqui falando junto, e ela é burra, tadinha.
Mariana me deu um tapa no bico do meu peito que fez ver estrelas.
— Então posso passar aí? Só para te dar uns beijinhos e ir embora. Se teu primo tiver aí, eu vou embora.
— Mas tem que ser rápido! Se minha mãe souber, vai ficar meio chateada com homem estranho aqui… Meia horinha, tá?
— Tudo certo, eu passo aí em dez minutos.
— Dez minutos?!
— Sim, tô pertinho de você!
— Te espero, tchau.
Mariana me olhou com os olhos arregalados, duvidando que aquilo ia dar certo. Nem eu acreditava. Meu coração tava disparado, eu sinceramente não sabia o que poderia acontecer e tava muito nervosa com a situação. Basicamente, eu marquei com dois homens ao mesmo tempo.
Isso ia dar merda.
Mas eu tinha um plano.
Virei pra Mariana, segurando nos ombros dela como se estivesse passando instruções de missão militar.
— Mariana, presta muita atenção, porque o Otávio não pode saber. Quando a campainha tocar, eu vou pegar o moço e vou pra um canto com ele, e você se entoca com o Otávio no quarto e não sai de lá.
— E se o Pedro aparecer?!
— Diz que eu cansei de esperar e fui na vizinha! Ele não gosta dela, vai ficar puto e me mandar mensagem. Aí eu dou a volta dispenso o moço e encontro com ele, tá?
Mariana cruzou os braços, balançando a cabeça, totalmente incrédula.
— Tu só pode estar ficando doida, cara…
E sim. Foi o plano que tinha tudo pra dar errado.
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