Capítulo 1
De todos os homens com quem me envolvi, Leon foi, sem dúvida, o mais intenso. Ele tinha algo de peculiar, algo que me atraía profundamente. Era como se suas emoções fossem um jogo de extremos, alternando entre a ternura de um amante cuidadoso e a selvageria de alguém que se entregava ao prazer de uma forma quase animalesca. E quando falo de selvageria, não é da maneira que você imagina — não é violência, mas algo bem mais intenso, quase como uma necessidade incontrolável, um desejo que não sabia mais onde começar ou onde terminar.
E eu, claro, adorava essa parte dele. Era como se o controle dele sobre o corpo e a mente se perdesse ao me ter, e isso me fazia sentir viva, tomada por uma força que eu mal entendia. Ele se cuidava, Leon. Cada detalhe era importante para ele: a alimentação, a depilação, as roupas que escolhia, o perfume que passava — tudo com uma precisão que só poderia ser descrita como obsessiva. Ele sabia como fazer de seu corpo uma obra de arte, e era difícil não notar, não desejar mais.
Eu sabia, lá no fundo, que minhas inseguranças eram evidentes, e não conseguia evitar o medo constante de que ele me trocasse por uma mulher mais bonita, mais interessante. Ele estava tão acima de mim, como se fosse um ser inatingível, e eu precisava encarar a verdade sobre isso, mesmo que fosse difícil. Não adianta mentir para si mesma, e eu sabia que ele poderia encontrar algo melhor. Sempre havia aquele pensamento rondando minha mente, me deixando vulnerável.
Mas algo mudou depois que completamos seis meses juntos. Ele, como se tivesse um desejo mais insaciável, começou a me pressionar. Queria mais de mim, queria fazer mais coisas, e eu… não sabia como lidar com isso. Não que eu não gostasse de explorar, mas eu sempre fui tão passiva, e a minha libido, apesar de ser insaciável, me levava para um lugar de desejo sem fim, porém, com uma necessidade de ser guiada, sem me impor. Ele reclamava, dizia que eu não procurava ou inventava coisas, mas a verdade era que ele não entendia o quanto aquilo mexia comigo, o quanto eu ficava excitada, mas ainda assim queria ser conduzida, não estar sempre à frente.
Aquela discussão, claro, havia sido tensa. Eu sabia que precisava fazer algo, inventar uma solução, e logo minha mente ficou cheia de ideias. Pensei em aulas de poledance, mas isso demoraria meses, e eu não tinha paciência para esperar tanto. A ideia de chamar uma amiga me passou pela cabeça — tenho uma amiga que é insaciável, sempre pronta para qualquer coisa. Mas, honestamente, eu não suporto mulher, e a ideia de usá-la para agradar a ele me deixava desconfortável. No fim, restaram duas opções. A primeira era transar em lugares públicos, o que me excitava mais do que eu queria admitir. Eu sempre tive um certo prazer em me exibir, e a ideia de ser pega me fazia tremer de excitação. Mas, por outro lado, eu sempre acreditei que isso não deveria ser algo combinado, deveria ser natural, uma explosão espontânea de desejo.
A outra opção? Bem, algo mais no campo do BDSM. Eu não sabia exatamente o que seria, mas a ideia de ser submissa, de explorar limites que nunca toquei, estava começando a me seduzir.
O que eu sabia sobre o assunto não era muito diferente do que todas as mulheres que leram “50 Tons de Cinza” sabiam. A parte da dor me deixava um pouco perdida, mas a ideia de ser submissa, de perder o controle, isso, sim, me deixava ligada. Passei um bom tempo navegando pela internet, assistindo vídeos de pessoas que se entregavam a essas práticas, e até dei uma olhada em alguns conteúdos mais explícitos — que, confesso, me incomodaram imediatamente. Vi que existiam lugares, ambientes próprios para esse tipo de coisa, mas até então eu só conhecia casas de swing e prostíbulos. Meu corpo parecia querer mais do que minha mente estava disposta a aceitar, e, sentada na minha cama, com o celular nas mãos, sentia meu corpo responder ao que via de uma forma intensa, a ponto de apertar as coxas. Eu evitava me masturbar, pois sabia que isso poderia virar um vício novamente. Percebi que, ao controlar esse impulso, minha libido com ele ficava muito mais forte.
Das coisas que encontrei, logo percebi que precisaria de alguns apetrechos. A única coisa que eu tinha era um vibrador pequeno, mais voltado para uso solitário, especialmente para o clitóris. Então comecei a procurar algumas coisas para comprar, mas sabia que antes eu precisava falar sobre isso com ele. Resolvi ligar.
— Amor, você toparia um lance de BDSM? — perguntei, tentando disfarçar a insegurança na voz
— Hmmm, se você realmente curtir, e não for só pra me agradar, eu topo muito, sim — a resposta dele veio com uma alfinetada, como sempre, já que ele sempre me acusava de tentar agradá-lo mais do que eu mesma queria.
— Então, estou em um site, colocando algumas coisas no carrinho. Entra com meu usuário e coloca o que você quiser, depois a gente escolhe tudo junto.
— Fechado!
Já tinha adicionado alguns cremes, um vibrador do tipo consolo, e uma palmatória de couro, que prometia não machucar, mas comprei mais pra chamar atenção dele, porque sinceramente, aquilo não me excitava nem um pouco. Sabia que seria o primeiro item a sair da lista. Adicionei também umas algemas — sempre quis ser dominada, e uma venda, que achava que ficaria sexy. E, claro, uma lingerie bem provocante e uma cueca que eu sabia que ele ficaria maravilhoso usando.
Depois de separar tudo o que eu queria, fiquei satisfeita e passei o usuário para ele. A semana seguiu tranquila, como sempre. A ideia do BDSM e de tentar coisas novas trouxe um frescor ao relacionamento, mas ainda assim, não estávamos bem. Não falamos muito sobre isso, porque acabamos nos encontrando com outras pessoas durante a semana, e não dava pra tocar nesse assunto ali no meio de todo mundo. Nossos dias foram tão corridos que, para ser sincera, eu acabei esquecendo completamente.
Na sexta à noite, eu estava sozinha em casa. Choveu horrores e seria impossível a gente se ver naquele dia. De repente, me lembrei do site e senti uma curiosidade de ver o que ele tinha adicionado. Para minha surpresa, o carrinho estava vazio. “Será que ele apagou tudo que eu escolhi? Não é possível,” pensei, irritada. Mas então, percebi que ele havia feito uma compra. Quase deixei o celular cair quando vi a lista de coisas que ele comprou, sem nem me consultar. Ele tinha gastado uma fortuna em acessórios, e cada item parecia mais exagerado do que o outro: metros e mais metros de cordas, algemas até para mamilos, uma calcinha com um formato esquisito, máscaras e até plugues anais.
— Eu não vou usar essa porra! — gritei, sozinha e revoltada, do meu quarto, por ele ter comprado tudo sem me consultar.
Furiosa, peguei meu telefone. Era um desrespeito. Não era sobre as coisas em si, mas o fato de ele não ter me consultado. A ideia era fazer aquilo juntos, não ele tomar todas as decisões sozinho. Ele atendeu no primeiro toque, como se estivesse me esperando.
— Leon, que merda é essa que você comprou? Você tá maluco? Em algum momento você pensou em me consultar? — Eu realmente precisei de forças para manter o controle.
— Você me disse que queria BDSM. Vai se acostumando com o seu lugar de obedecer, a partir de agora. — E desligou o telefone.
Se ele premeditou aquela resposta, eu não sei. Eu deveria estar puta, mas um sorrisinho sacana no canto dos meus lábios dizia que, na verdade, eu gostei disso mais do que deveria.