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945 palavras
5 minutos
Tapas, enforcamentos e invasão

Capítulo 4#

Eu me sentei no sofá, imóvel, a mente em branco. Nenhum pensamento me atravessava, apenas a sensação crua do esperma escorrendo pelo meu rosto e a dor latejante no pescoço. O gosto amargo ainda impregnava minha língua, o cheiro quente da sala misturava-se ao suor que começava a secar na minha pele. Perguntei-me se realmente tinha gostado daquilo, e a resposta veio silenciosa e certeira: sim. Havia algo monstruoso nele, algo que me assustava e, ao mesmo tempo, mexia comigo de uma maneira que eu não conseguia entender.

— Deite-se no sofá. De barriga para baixo.

A ordem veio de algum canto da sala, firme, sem hesitação. Eu não podia vê-lo, apenas ouvi-lo mexendo em algo, e isso fazia minha vulnerabilidade pulsar dentro de mim, densa, excitante. O não poder olhar nos olhos dele me deixava ainda mais entregue, presa em um estado de submissão desconhecido, inquietante.

Obedeci. Deitei-me, nua, a pele quente colada ao couro frio do sofá. Os fios soltos do meu cabelo grudavam no rosto, presos pela maquiagem borrada e pelo sêmen secando devagar. O cheiro se tornava mais forte, misturando-se à umidade da minha respiração ofegante. Eu devia estar um desastre — um borrão de luxúria e exaustão. E, ainda assim, sentia um arrepio de expectativa percorrer minha espinha quando ouvi seus passos se aproximando.

Ele se aproximou do meu lado, sua presença queimava no ar, densa, impossível de ignorar. Sua mão percorreu minhas costas, um toque bruto, mas ainda assim um carinho. Desceu até minha nádega, apertando-a com força, me abrindo. Antes que eu pudesse saborear aquele afago, sem delicadeza alguma, deslizou para a base da minha espinha e seguiu descendo, pressionando entre minha bunda, arrancando um arrepio profundo de mim. Seu dedo encontrou meu ânus, deslizando sobre ele e fazendo meu corpo inteiro se encolher, para então, sem aviso, invadir minha vagina de assalto.

Entrou rápido, violento. Meu corpo reagiu antes da minha mente compreender o que acontecia. Um delírio tomou conta de mim, um calor pulsante me percorreu inteira, e um gemido escapou sem que eu pudesse conter. Eu nem havia percebido o quanto estava molhada até aquele momento, até sentir cada fibra do meu corpo rendida ao toque invasivo e feroz que me tomava por completo.

Dedo a dedo, quase toda a sua mão estava dentro de mim. O som molhado e alto, ecoava na sala. A cada investida, meu corpo se empinava mais, tomado por uma onda incontrolável de prazer e dor. Ele me violentava com a mão, sem hesitação, cada movimento arrancando de mim um misto de desconforto e êxtase. Eu me entregava mais, mergulhava na sensação de ser invadida daquela forma bruta, sentindo algo enorme e avassalador se formar dentro de mim.

Quando o prazer atingiu seu ápice, quando tudo começou a se tornar um delírio denso e febril, ele arrancou a mão de dentro de mim de um só golpe, como se sacasse uma lâmina de uma bainha. O ar escapou dos meus lábios em um arquejo surpreso, mas antes que eu pudesse reagir, sua palma desceu com força sobre minha bunda. O tapa estalou alto, o ardor se espalhando pelo meu corpo como uma onda. Um grito escapou da minha boca, a pele queimando, vibrando entre o choque e o desejo. Meu corpo inteiro estremeceu, sem entender a transição abrupta do prazer para a dor. O peito arfava, minha mente girava, e a única coisa que me restava era a consciência da minha pele em chama.

Seus dedos voltaram para dentro, reiniciando um ciclo hipnotizante. Ele me invadia, e quando eu finalmente relaxava, vinha o tapa. Quatro ou cinco vezes ele repetiu o ritual, cada golpe me puxando de volta à tensão. Mas, nas últimas vezes, o tapa demorava a vir. A espera, a antecipação da dor, tornavam-se piores que o próprio impacto. Eu me peguei, por um instante fugaz, desejando que ele batesse logo. A dor viria, cortante, mas com ela traria o prazer novamente. Nesse último ciclo, o mundo parecia ter parado para mim, eu queria a dor, queria lidar logo com ela. A expectativa estava me matando e sem perceber eu falei pela primeira vez.

— Me bate logo, por favor! — o pedido era um miado que saiu da minha voz embargada.

Algo apertou de súbito meu pescoço, a pressão repentina fechando minha garganta, roubando-me o ar. Ele puxara a coleira, forte, decidido, e o puxão me fez sufocar, um som esganiçado escapando da minha boca antes mesmo que eu pudesse conter o pavor.

— Cala a boca, sua puta. Eu não mandei você falar. — A voz que cortou o ar era sombria, carregada de um poder que me gelava e me incendiava ao mesmo tempo.

A coleira não afrouxou. Ele não me bateu de novo, nem se moveu, apenas segurava, apertando minha garganta com a tira de couro, mantendo-me naquele limiar cruel entre o desespero e o êxtase. Minha respiração tornou-se difícil, o ar preso na garganta como um pedido de socorro que nunca seria feito. Minha mente oscilava, confusa, entre o pânico de perder o controle e a vertigem do prazer absoluto que aquela rendição me proporcionava.

Meu corpo estremeceu inteiro, um arrepio gelado percorrendo minha espinha, e de repente eu soube. Eu soube que nunca voltaria a ser a mesma depois daquela noite.

Ele me soltou. O ar rasgou minha garganta quando entrou de volta, um suspiro sufocado, um soluço de alívio e vazio. Meu peito arfava, minha pele queimava, minha mente girava em um caos mudo. Eu devia odiá-lo, devia ter medo. Mas tudo o que sentia era um desejo doentio de me perder mais uma vez naquilo, na sua brutalidade, na entrega total que ele arrancava de mim sem piedade.

Eu estava fodida. E queria mais.

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