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15 minutos
10 dicas de como escrever contos eróticos

14/02/2025

Como escrever contos eróticos#

Muita gente, totalizando umas cinco, vem me pedir dicas de como escrever contos eróticos melhores. Eu sempre digo para ler os clássicos, mas as pessoas não costumam gostar dessa sugestão. E eu entendo. Quase todos os clássicos são antigos, difíceis de achar e, muitas vezes, escritos num estilo que não conversa com quem quer escrever hoje. Então, resolvi resumir aqui o meu jeito de escrever.

1 - Nomes: precisamos mesmo deles?#

Nome é uma coisa complicada. Não quero entrar em discussões sobre localização, mas nomes estrangeiros podem causar um certo desconforto e diminuir a qualidade da obra. A Ashley e o Keaton, brasileiríssimos, transando no metrô do Rio de Janeiro podem causar um certo problema de imersão.

Na real, eu evito usar nomes. Pode ver que em muitos contos solos eu nem nomeio os personagens. Um motivo é que o leitor pode dar o nome que quiser ou associar a pessoa a alguém que conheça, aumentando a imersão. Outro é que muitas vezes nem precisa de nome. Por exemplo, se você observa uma discussão no meio da rua, os nomes são fundamentais para entender a cena? Saber se são um casal, se houve uma traição, é muito mais importante. Pense nisso.

2 - Descrição: nem demais, nem de menos#

O conto erótico está dentro do gênero narrativo, especificamente no romance ou na novela, mas isso não significa que ele deva ser descritivo demais ou, pior, dissertativo. Aqui vai um pouquinho de teoria, mas não se assuste. A narrativa tem que contar uma história, não apresentar um relatório detalhado para a polícia.

A maioria das pessoas não consegue visualizar descrições extremamente técnicas. Dizer que a personagem tem 110 cm de quadril e veste um sutiã tamanho 46 pode até ser preciso, mas não é útil para a imersão. Talvez apenas dizer que “ela era uma mulher cavalona” já funcione muito melhor. O leitor vai montar a imagem na cabeça dele, e isso é ótimo, porque permite que a imaginação dele preencha os detalhes de um jeito pessoal e envolvente.

Por outro lado, deixar a cena completamente sem descrição também é um erro. Se o leitor não consegue visualizar nada, ele se desconecta da história. O segredo é o equilíbrio: dê pistas suficientes para orientar a mente do leitor, mas não tente controlar cada detalhe da imaginação dele.

3 - Ambiente#

Lugares são importantes, mas cuidado: não precisa descrever tanto. A maioria dos leitores já teve contato com esses ambientes, então evite se perder descrevendo a lajota de azulejo que está caindo. Seja sutil.

Não fique mudando de lugar toda hora também. Tente manter seu conto em um único ambiente ou com pequenas mudanças. Em contos, geralmente se escreve menos, você tem menos tempo de atenção do leitor, e ele quer ver sexo, não um parágrafo inteiro sobre como era o sofá art nouveau de 1940 da Gallery Collins com detalhes em latão perolado.

Dito isso, um ambiente bem construído pode potencializar a tensão erótica. O segredo está em ativar os sentidos do leitor sem sobrecarregar a narrativa com descrições excessivas.

Use os cinco sentidos#

O ambiente não deve ser apenas visual. Pense em cheiros, texturas, sons e até temperaturas. O couro frio de um sofá, o aroma adocicado de um perfume no ar, o som abafado da respiração pesada no silêncio do quarto—esses detalhes ajudam a criar uma experiência sensorial mais imersiva.

Escolha detalhes que reforcem a atmosfera#

Nem tudo precisa ser descrito, mas os elementos que você escolhe destacar devem contribuir para o clima da cena. Um quarto de hotel pode ser frio e impessoal, aumentando a sensação de algo proibido. Um carro pode ser apertado, reforçando a urgência do momento. Uma casa antiga pode ter um cheiro de madeira e móveis rangendo, trazendo um ar de mistério e clandestinidade.

Torne o ambiente parte da ação#

O cenário não deve ser apenas um pano de fundo estático. Ele pode interagir com os personagens. O balcão da cozinha pode servir de apoio para um beijo mais intenso, uma cama desarrumada pode indicar a pressa do momento, um espelho pode adicionar um elemento voyeurístico. Integrar o ambiente à narrativa deixa tudo mais natural e envolvente.

Use a ambientação para criar expectativa#

Ambientes podem ser usados para preparar o leitor para o que está por vir. Um bar lotado e barulhento pode contrastar com o silêncio carregado de tensão de um elevador vazio. Um jantar à luz de velas pode construir a antecipação antes do toque. Pequenos detalhes ajudam a conduzir a história antes que qualquer contato físico aconteça.

No fim das contas, a ambientação deve complementar a cena erótica, não competir com ela. Diga apenas o necessário para que o leitor sinta o espaço, mas deixe que ele preencha as lacunas com a imaginação.

5 - Seja erótico e não pornográfico#

Se você concordou com o título, está errado. Não se iluda: contos eróticos são literalmente a definição de pornografia. Se isso te incomoda, vá fazer outra coisa. Você pode chamar o que escreve de hot, proibido ou do caralho que for, mas é pornografia.

Pornografia segundo o dicionário
  1. característica do que fere o pudor (numa publicação, num filme etc.); obscenidade, indecência, licenciosidade.

  2. material contendo descrição ou exibição explícita de órgãos ou atividades sexuais, com o objetivo de estimular a excitação sexual.

Eu já escrevi sobre isso aqui no blog, sobre a propaganda moral que foi feita contra o gênero, e se você foi vítima dessa propaganda, que é muito antiga. Eu lamento por você.

Agora, dentro da pornografia, você pode escolher o nível de abordagem. Pode ser mais sutil, mais direto, mais poético ou mais cru. Mas, no fim das contas, é isso. A diferença entre erotismo e pornografia é uma construção cultural e moral, e não uma questão de qualidade ou complexidade.

O que importa é a intenção do seu texto. Se você quer criar algo envolvente, que mexa com o leitor e o faça sentir a cena, o segredo está em como você trabalha o desejo, a tensão e a construção do momento. Se só joga uma cena de sexo na cara do leitor sem qualquer desenvolvimento, aí sim vira algo descartável.

Escrever bem um conto erótico não significa fugir da pornografia. Significa entender que, dentro dela, existe espaço para sutileza, para tensão bem construída e para um impacto que vai além da mecânica do ato sexual.

6 - Vulgaridade e palavrões#

Olha, se você escreve contos eróticos, deveria estar escrevendo para um público maior de 18 anos. Esse público sabe exatamente o teor do que está consumindo, então não precisa ter medo de “baixar o nível”.

Na sua cama, você não diz “Ahn, por favor, introduza seu pênis masculino dentro de minha vagina”. Você diz “Mete essa rola na minha boceta, caralho”.

Eu reconheço que cada um tem seu estilo e que isso é perfeitamente normal. Alguns preferem um tom mais poético, outros mais direto. Mas nunca tenha medo de ir para esse lado, porque não são essas palavras que vão definir a qualidade do seu trabalho.

Novamente, seu principal objetivo não é provar que sabe escrever como um acadêmico parnasiano. Seu dever é prender a atenção do leitor e excitá-lo, não demonstrar seu domínio gramatical ou vocabulário rebuscado. Se a cena pede crueza, use sem medo. Se pede delicadeza, vá por esse caminho. Mas nunca se censure por medo de parecer vulgar — o erótico e o sujo andam juntos, e saber equilibrar os dois é o que faz um bom conto funcionar.

7 - Um fetiche de cada vez#

Eu gosto de ser temática para direcionar meus contos a públicos diversos. Portanto, um fetiche de cada vez. Se você escreve um conto anunciado como lésbico e, do nada, aparece uma rola no meio, a mulherada vai ficar bem chateada com você. Se isso acontecer com frequência, pode ter certeza de que elas vão parar de te ler.

Não vou dizer que existe uma regra fixa para isso, mas pense na coerência do seu texto. Se o conto começa com um sexo no carro na primeira vez de uma menina, é estranho que, do nada, ela seja enforcada, apanhe e decida mijar na boca do cara. Cada fetiche tem seu público, seu contexto e sua construção. Misturar tudo sem um bom desenvolvimento pode quebrar a imersão do leitor e afastar pessoas que estavam ali por um tipo específico de história.

Isso não significa que você não pode explorar múltiplas camadas de desejo em um conto. Mas faça isso de forma natural. Introduza os elementos progressivamente e sempre considere o público que você quer atingir.

Além disso, tome cuidado com a suspensão da realidade—que é o que falaremos a seguir.

8 - Suspensão de realidade#

Homem é um bicho idiota que, às vezes, parece viver em outro mundo. Existe uma coisa chamada realidade coletiva e outra chamada realidade individual. Tome cuidado para não achar que o seu mundinho pessoal é igual ao das outras pessoas.

Normalmente, mulheres não entram em carros desconhecidos só porque o motorista é gostoso. Se você quiser que algo assim aconteça na sua história, precisa construir um contexto muito bom, ou isso vai gerar na leitora uma sensação de perigo que pode impedi-la de relaxar na cena. Se a personagem faz algo que, na vida real, colocaria sua segurança em risco, o leitor tende a interpretar isso como um sinal de perigo, não de desejo.

Outro erro clássico de suspensão da realidade é como homens escrevem a primeira vez de uma mulher. Parece que, na cabeça de alguns, mulher não sabe o que é rola, não deseja rola, e quando encontra uma, age como se tivesse descoberto um novo continente:

— Eita, atropecei em alguma coisa. Nossa, é uma rola! Acho que vou sentar em cima.

Não, não é assim. Para a maioria das mulheres, isso não é real e gera uma estranheza enorme. Personagens femininas precisam ter desejo, intenção e contexto. Se a mulher nunca pensou em transar com alguém, não faz sentido ela, de repente, topar tudo sem questionar nada.

Claro, existem fetiches que envolvem situações mais forçadas ou improváveis, mas mesmo nesses casos, é preciso fazer um bom trabalho na construção da cena para que ela pareça crível dentro do universo da história. Se a leitora sente que a protagonista está sendo manipulada ou jogada em um cenário sem contexto, a imersão quebra, e a cena erótica vira motivo de riso ou desconforto.

No fim das contas, a suspensão da realidade não significa ignorar completamente o que é possível. Significa construir um universo onde o que acontece faz sentido dentro daquela história e, mais importante, dentro da cabeça de quem está lendo.

9 - Preparativos#

Quais são as coisas mais chatas no sexo? Parar a transa para buscar camisinha e colocar, forrar o colchão para não dormir no gozo de outra pessoa, peidar durante o sexo, cagar no parceiro… enfim, coisas assim fazem parte da realidade, mas não precisam estar no seu conto—exceto se for essencial para a história.

Se a cena for sobre desejo intenso e incontrolável, ninguém quer ler um parágrafo sobre o cara rasgando o pacote da camisinha e demorando para colocar. Se for um conto mais romântico, talvez um momento de cuidado e consentimento funcione bem. Mas, no geral, detalhes práticos demais só quebram o ritmo e a excitação da cena.

Você pode dizer “ah, mas camisinha é importante”. Sim, na vida real é. Mas você não está escrevendo um texto educativo, está narrando sexo. E, na narrativa, a fluidez é mais importante do que uma cartilha de saúde sexual. Claro, se o foco da cena for realismo absoluto, pode fazer sentido mencionar isso. Mas se o objetivo é manter a intensidade, às vezes, o leitor vai apenas presumir que os personagens já resolveram essa parte.

O mesmo vale para outras questões: a protagonista foi ao banheiro antes? O cara tomou banho depois? O lençol ficou todo sujo? Essas são coisas que fazem parte do sexo, mas dificilmente fazem parte de uma boa cena erótica. Se não for relevante para o clima ou para o desenvolvimento da história, pule essa parte e foque no que realmente importa.

10 - Gramática#

Se você escreve contos eróticos, a gramática é sua aliada, não sua inimiga. Não precisa escrever como se estivesse fazendo uma dissertação do ENEM, mas dominar a estrutura do idioma te ajuda a criar um texto mais fluido, envolvente e natural.

É aquela coisa: ninguém vai gozar porque você usou corretamente um pronome relativo, mas se seu texto estiver cheio de erros grosseiros, a imersão quebra, e o leitor percebe que está lendo algo mal escrito, em vez de se perder na cena.

Um dos recursos que eu gosto muito de usar são orações subordinadas apositivas e apostos. Elas servem para acrescentar informações dentro da frase sem quebrar o ritmo do texto. E, no caso da escrita erótica, isso pode fazer uma diferença enorme, porque permite adicionar detalhes sensuais sem parecer que você está jogando um dicionário de sinônimos na cara do leitor.

Oração subordinada apositiva#

Ela funciona como uma explicação adicional dentro da frase e geralmente vem introduzida por dois pontos. Veja a diferença:

  • Ele a puxou para perto, beijando sua pele.

  • Ele a puxou para perto, fazendo o que já desejava há tempos: beijar sua pele.

No segundo caso, a oração subordinada apositiva adiciona um elemento de desejo, reforçando que aquela ação tem um significado maior. Pequenos detalhes como esse aumentam a tensão e deixam a cena mais envolvente.

Aposto#

O aposto tem uma função parecida, mas pode vir isolado por vírgulas e funciona como uma explicação curta que dá uma pausa dramática ou um respiro ao leitor. Veja:

  • Ela arfava sob o toque dele.

  • Ela arfava sob o toque dele, quente, preciso, faminto.

A segunda frase transmite muito mais sensação sem precisar alongar demais a descrição. Isso porque os três apostos (quente, preciso, faminto) vão sendo adicionados de maneira quase rítmica, fazendo com que o leitor sinta a intensidade do momento.

Esse tipo de construção é ótimo para contos eróticos porque evita que a escrita fique mecânica. Em vez de apenas descrever ações, você adiciona camadas de significado e intensidade. Claro, não precisa encher cada frase de apostos e orações subordinadas. Mas usá-los no momento certo faz toda a diferença. A gramática, quando bem utilizada, não é uma regra chata a ser seguida, mas sim uma ferramenta para criar um texto que prende e excita o leitor do jeito certo.

Por que escrevo em primeira pessoa#

Sempre prefiro escrever em primeira pessoa porque isso aumenta a imersão do leitor. A narrativa em primeira pessoa coloca o público dentro da mente do personagem, tornando as sensações, pensamentos e experiências muito mais intensas.

Quando a história é contada por um narrador distante e observador, em terceira pessoa, existe uma barreira entre o leitor e os acontecimentos. Já em primeira pessoa, o leitor sente como se estivesse vivendo a cena, como se estivesse dentro do corpo do protagonista. Isso faz toda a diferença em um conto erótico, porque o objetivo é fazer com que quem está lendo sinta o desejo, o toque, a excitação e a tensão da cena.

Compare:

  • terceira pessoa: ele a puxou para perto, beijando seu pescoço. ela suspirou, sentindo o calor da boca dele.

  • primeira pessoa: ele me puxou para perto, e, quando seus lábios tocaram meu pescoço, um arrepio subiu pelo meu corpo.

A segunda opção faz com que o leitor se sinta mais próximo da experiência. Ele não está apenas observando a cena, mas quase participando dela. Esse tipo de envolvimento é essencial para que o conto erótico funcione.

Por que escrevo no pretérito#

Outra escolha que faço sempre é escrever no pretérito, nunca no presente. O motivo é simples: o tempo verbal afeta a forma como o leitor absorve a história.

O presente pode até passar uma sensação de urgência, mas, para o erótico, ele muitas vezes parece mecânico e artificial. Frases como “ele me beija e desliza a mão pela minha coxa” podem soar muito diretas, quase como uma descrição objetiva, sem emoção. Já no pretérito, a narrativa ganha mais profundidade e naturalidade.

Compare:

  • presente: ele me beija e desliza a mão pela minha coxa. eu suspiro e seguro seu cabelo, puxando-o para mais perto.

  • pretérito: ele me beijou e deslizou a mão pela minha coxa. eu suspirei e segurei seu cabelo, puxando-o para mais perto.

O pretérito cria uma sensação de relato, como se fosse uma lembrança, algo que já aconteceu e que agora está sendo recontado com detalhes e emoção. Isso faz com que o leitor se sinta mais confortável dentro da história, sem aquela impressão de que algo está acontecendo em tempo real de forma apressada ou artificial.

Além disso, o pretérito permite variações melhores na construção das frases. O presente tende a prender o escritor em uma estrutura repetitiva e previsível, enquanto o pretérito dá mais liberdade para desenvolver a cena com naturalidade.

No fim, essas escolhas não são regras absolutas, mas fazem parte do meu estilo e da forma como eu gosto de criar imersão nos meus contos. Cada escritor encontra seu próprio caminho, mas entender como tempo verbal e ponto de vista afetam a experiência do leitor pode fazer toda a diferença.

Conclusão#

Escrever contos eróticos não é só juntar palavras picantes e esperar que o leitor se envolva. É um trabalho que exige ritmo, intenção e atenção aos detalhes certos. Saber quando descrever, quando sugerir e como construir tensão faz toda a diferença entre um texto que realmente mexe com o leitor e um que se torna apenas mais uma cena esquecível.

A sexualidade é complexa, cheia de nuances e particularidades. O que excita um leitor pode incomodar outro, e tudo bem. O importante é entender o público que você quer atingir e saber conduzir a história de forma envolvente. Você pode escrever algo mais poético, algo mais direto, algo mais romântico ou algo completamente cru—o que importa é manter a coerência, a fluidez e a conexão com quem está lendo.

No fim das contas, um bom conto erótico não é só sobre sexo. É sobre desejo, antecipação, envolvimento e construção de cena. A pornografia está em todos os lugares, mas a diferença entre algo descartável e algo marcante está no jeito como você escreve.

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