Talvez você goste, mas acho sinceramente que vai acabar rindo. Em certo momento da minha escrita, decidi ser lírica e comecei a descrever tudo de forma exagerada. Não que seja ruim, mas eu não tinha maturidade literária para sustentar esse estilo de maneira envolvente ao longo do texto. O resultado? Uma escrita que rapidamente se tornava monótona.
Aqui, compartilho diretamente do meu bloco de notas um exercício que fazia:
Metáforas grandiosas (tempestade, supernova, redemoinho), sempre ligadas a elementos naturais e cósmicos.
Sensorialidade intensa (tato, olfato, visão distorcida).
Transcendência do eu (dissolução do corpo, fusão com o universo).
Contraste entre violência e delicadeza (“unhas e dentes” vs. “mapa em meu dorso”).
Sinta-se à vontade para roubar ou se inspirar. Acho que você saberia usar isso melhor do que eu.
1
O momento veio como uma maré crescente, suave e inevitável, carregando-me para um lugar onde o tempo parecia suspenso. Era como se cada nervo do meu corpo fosse uma corda afinada, vibrando em harmonia perfeita. Um calor delicado se espalhou, lento no início, até explodir em uma onda de luz e fogo, consumindo tudo em seu caminho. Minha respiração encontrou a dela, e naquele instante, não éramos dois, mas um só corpo, um só universo pulsando em uníssono. O mundo ao redor desapareceu, restando apenas o doce abandono, o abraço do êxtase que preenchia cada vazio. E quando a calmaria veio, trouxe consigo a certeza de que o amor era capaz de transcender até mesmo o infinito.
2
O ápice chegou como um trovão em meio a um céu tempestuoso, um arrepio que nasceu nas profundezas e subiu em ondas devastadoras. Meu corpo tremia, tomado por uma energia indomável que se espalhava como fogo líquido. Cada toque, cada suspiro era um grito mudo, uma súplica ardente pela liberação que vinha feroz, rasgando a pele e o ar. No instante da explosão, o mundo deixou de existir, e eu me dissolvi em pura luz e escuridão, um caos de prazer que consumia tudo. O prazer era absoluto, cruel e belo, deixando-me vazio e preenchido ao mesmo tempo, perdido em um silêncio onde só restava o eco da entrega.
3
O clímax chegou como um poema em chamas, queimando-me de dentro para fora. Era um sussurro que crescia em grito, uma tempestade delicada que envolvia cada sentido. Meu corpo tornou-se um instrumento afinado pelas mãos do desejo, vibrando em harmonia com a paixão que nos unia. O calor subiu, crescendo como uma onda que não podia ser contida, até que explodi em mil fragmentos de luz e sombra. Naquele instante eterno, o mundo silenciou, e tudo que existia era o ritmo frenético do prazer, um êxtase tão avassalador quanto a primeira luz de um amanhecer.
4
O êxtase chegou como uma tempestade de verão: imprevisível, violenta, lavando-me de tudo que não era essência. Meus músculos contraíam-se como raízes sob a terra, buscando um úmido que só existia em seu toque. O ar ficou denso, carregado de um aroma de flores esmagadas e suor sagrado. Quando o relâmpago cortou o céu do meu corpo, levei suas mãos como oferenda — e ela aceitou, devorando-me em golpes de eletricidade e vento. Desabei em rios, em cinzas, em algo que não era matéria, mas puro movimento. E quando a chuva cessou, restou apenas a terra úmida do meu peito, onde ela plantou sementes de um fruto que nunca conheci.
5
A explosão veio como uma supernova: silenciosa no vácuo, mas capaz de rasgar galáxias inteiras. Meus dedos eram cometas perdidos, orbitando seu corpo como se ele fosse o centro gravitacional de tudo. O frio do espaço fundiu-se ao calor das estrelas, e em cada porão da pele, nasciam constelações de arrepios. Quando o colapso veio, fui sugado para o núcleo incandescente, onde luz e escuridão se fundiam em algo além da cor. Meus ossos viraram poeira cósmica, meu sangue, plasma de nebulosas. E no fim, só restou o eco de uma pergunta: Como algo tão vasto cabe em dois corpos tão pequenos?
6
O auge foi um redemoinho: lâminas invisíveis cortando cada camada de racionalidade. Meu quadril movia-se por instinto ancestral, seguindo o compasso de tambores que só existiam em suas veias. O ar ficou salgado, como o mar em noite de ressaca, e cada gemido era uma onda quebrando contra rochas. Quando o vórtice me engoliu, perdi nome, forma, história — tornei-me apenas pressão, um uivo primitivo que atravessava eras. E na calmaria, quando o redemoinho se dissipou, descobri que ela havia escrito, com unhas e dentes, um mapa em meu dorso. Um mapa para encontrar o centro do furacão outra vez.
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