Agora sou uma mulher solteira, e quando assumi esse status, muitos homens que eu conhecia esperaram o período de resguardo do término para usar minha tristeza como pretexto para se aproximarem. Agiam como se eu não fosse um ser individual, sempre trazendo o mesmo papo enfadonho, repetindo conselhos sobre coisas que eu havia superado. Minha tristeza não era sobre o fim da relação, mas sobre a solidão que habitava em mim.
Muitos vinham me cortejar, mas de todos, um me chamou a atenção, era o noivo de uma amiga, que por telefonema fez contato.
— Vou passar aí hoje para saber como está.
Lembro-me de sua voz firme ao dizer essas palavras. Ele não pediu, apenas anunciou que viria. Eu não tinha nada a tratar com ele, especialmente sem minha amiga por perto. “Deveria avisá-la da visita?”, perguntei-me. Claro que eu sabia do que se tratava; sabia que aquele canalha tentaria algo assim que estivesse aqui. Mas eu era pior. Eu precisava daquilo, e seria ele quem me daria. Permaneci em silêncio.
Recebi-o no meu apartamento. As cortinas fechadas deixavam a luz baixa, ocultando a ausência de alguns móveis e dos porta-retratos deitados e sem fotos. Para ele não vesti nada de especial, as roupas eram de um sábado à tarde ao qual vestia quando sozinha longe de outros olhos, hoje eu permitiria que ele visse se conseguisse, por além da minha dor, meu corpo.
— Entra.
Ele entrou e plantou-se no meio da sala me olhando, eu nada disse pois não tinha nada a conversar com ele. Ele tagarelou algo sem graça tropeçando nas próprias palavras e eu muda somente ouvia aguardando que se calasse, como não se calou, saquei minha blusa pela cabeça deixando o fino ar frio tocar meus seios revelando a ele a pele despida que tanto desejava ver.
— Toca.
Eu rezava para seu toque nos meus mamilos agora intumescidos não ser de todo ruim, eu precisava de um homem funcional que atendesse as minhas necessidades. Ele veio tímido quando se encostou em mim, um beijo suave veio dos seus lábios – e eu não queria suavidade. Para ser clara sobre como as coisas iriam ser, me desvencilhei de suas mãos e abri suas calças olhando nos seus olhos, sua boca abriu-se em surpresa e seus olhos pasmaram-se quando suas calças foram aos pés. Empurrei-o para o sofá e me despi por completo, não havia em mim nenhuma vergonha por não estar preparada para ele, minha virilha povoada de pelos indesejados mostrava que eu já não me cuidava como antes.
— Senta.
Caindo sentado sobre o sofá em desespero ele retirava afoito suas roupas como se o que eu estava oferecendo à ele fosse pouco e acabasse em poucos segundos — eu tinha muito para lhe dar. Busquei meu lugar ao lado do dele e abusei de seu corpo beijando sua boca quente, e tocando seu membro que ainda não estava pronto, me libertei de sua boca atacando o pescoço, mordendo e lambendo até os lóbulos de suas orelhas. Seu membro era quente e crescia; muito me agradava o tamanho, desci aos seus mamilos para sugá-los e ouvi-o gemer de prazer, um a um, com costumeiramente o fazem comigo os suguei deixando apenas vermelhos e marcas de saliva. Satisfeita agora com sua ereção, sem medir, engolfei seu pênis em minha boca como se me punisse, provocando em mim um engasgo, a saliva provocada escorreu por todo seu falo facilitando o uso de minhas mãos que sentiam sua carne morna e rígida pulsando.
Meu veio aquele gosto amargo e a pele quente ocupando meus lábios, e me causava intenso prazer, eu me lambuzava a face com os líquidos que vertiam dali como uma criança emporcalhada. Em movimentos firmes eu o sugava até o meio torcendo-lhe a cabeça com os lábios de um jeito forte até senti-lo tremer sob minhas mãos. Meu corpo estava sensível e minha pele completamente eriçada, minhas respirações pesavam cada vez mais e quando minha pele tocava a sua pele quente, eu me arrepiava por inteira, o seu corpo duro de homem era o que eu queria sentir dentro de mim me tornando completa. Mas ainda não estava pronta completamente pronta para recebê-lo.
Me levantei sobre ele ainda sentado largado no sofá, e expus minha virilha em sua face forçando meu sexo molhado contra seu rosto. Eu o apertava para sentir sua língua cada vez mais, seus dedos inábeis me penetravam por todos os buracos e eu só queria sufocá-lo. O cheiro da minha vagina estava impregnado em seu rosto como um perfume que seria difícil de sair. Galopei sua boca violentando sua face buscando um prazer que aquele homem provavelmente seria incapaz de me dar. Sua língua percorria meus recônditos por entre o ânus até a minha entrada, eu me sentia ensandecida e agora levaria ao fim o meu desejo.
Deixei-me escorregar me esfregando em seu corpo até sentir a ponta de seu pênis perturbando a minha paz, em um rebolado, me deixei encaixar por completa de uma única vez. Senti sua textura por completa, o calor do seu falo e a rigidez daquilo que me preenchia. Me forcei ao ponto de meu clitóris tocar seu ventre e fui tomada da excelente dor que jamais queria que me abandonasse.
Não deixei que ele me controlasse e o segurei pelos seus cabelos fazendo-os de rédeas e beijei sua boca e, como uma cadela no cio descarreguei toda a minha energia cavalgando o pau daquele homem que junto de mim traía a minha amiga, eu o sentia profundamente dentro, o prazer parecia emanar das minhas entranhas até as pontas dos meus membros deixando meu corpo cada vez mais relaxado. Sobre aquele homem eu gozei e não parei de cavalgar até ser paralisada pelo orgasmo que deixou meu corpo com espasmos patéticos fazendo-me contorcer para a frente sem forças. Dentro de mim, um rio quente, branco e viscoso escorria me dizendo que ele havia gozado.
— Se arrume e vá embora por favor — disse ainda nua a caminho do banheiro.
— Mas… — ele tentou falar, mas logo eu o censurei.
— Não quero conversa, vai embora.
Quando retornei à sala, apenas o cheiro do sexo persistia no ambiente, o calor dos nossos corpos ainda podia ser sentido na almofada do sofá. O que aconteceu ali, jamais aconteceu novamente ou alguém ficou sabendo.