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A coisa que eu mais temia era cair num golpe, encontrar uma quadrilha que me roubasse os rins ou algo pior. Mas, sinceramente, por aquela garota, ela poderia levar tudo de mim sem esforço. Foi por isso que marcamos o primeiro encontro em um shopping movimentado, com câmeras e gente para todos os lados. Seguro.
Nos conhecemos em um desses aplicativos de encontro. O que começou com conversas despretensiosas logo virou algo mais intenso. Horas, dias inteiros trocando mensagens, compartilhando segredos, aspirando futuros possĂveis. E, claro, vocĂŞ já imagina o que mais cresceu entre nĂłs. NĂŁo era sĂł conversa. Era desejo.
Durante a noite, era impossĂvel pegar no sono antes de falar com ela. Pegava o celular e começávamos aquela conversa que se estendia atĂ© de madrugada. As fotos que trocávamos pareciam ganhar vida na minha mente: a pele impecável, o sorriso que me tirava o fĂ´lego, o corpo que eu desejava sentir. A verdade Ă© que já estava apaixonada, sem nem perceber. De um jeito quase bobo, quase ingĂŞnuo, me apeguei a ela, mesmo sem tĂŞ-la encontrado pessoalmente. Eu nunca fui de me sentir carente, tampouco de me apaixonar com facilidade. Mas com ela foi diferente. Talvez fosse o jeito como falava sobre seus planos para o futuro ou a maneira como me fazia rir com as coisas mais simples. SĂł sei que ela me conquistou de um jeito que ninguĂ©m jamais conseguiu.
E lá estava eu, com o coração acelerado e a respiração presa, uma mistura de ansiedade e nervosismo tomando conta de mim. Não conseguia pensar em outra coisa além do momento em que a veria pela primeira vez, cara a cara, no meio de toda aquela gente. Parada ali, com os olhos fixos na escada rolante do shopping onde marcamos de nos encontrar, tudo parecia em câmera lenta. Ela disse que viria com um buquê de flores nas mãos, mas, sinceramente, eu não precisava de nenhum sinal para saber que era ela. A imagem dela já estava gravada na minha mente de forma quase palpável — cada traço, cada curva daquele rosto que me fez perder noites de sono, que eu tanto desejei sem sequer tocá-lo.
Os minutos pareceram horas. Meu coração batia tão forte que alguém próximo poderia ouvir ouvir. Pessoas subiam e desciam as escadas, mas nenhuma delas era ela. E então, eu a vi. Primeiro, o buquê — vermelho, vibrante, chamativo. Depois, ela. Exatamente como eu imaginava, só que mais radiante. Ainda na escada quando nossos olhares se cruzaram, eu senti meu corpo inteiro responder, um arrepio que começou na nuca e foi até os pés. Ela sorriu. Um sorriso envergonhado de quem não sabia como agir, ela vestia um vestido leve florido, um casaquinho para o frio do cinema e sandálias leves nos pés, era verão e estava quente lá fora. Os cabelos presos atrás da cabeça e a maquiagem leve lhe conferia um ar despojado mas inocente.
Eu queria lhe abraçar e beijar ali, na frente de todos, queria sentir seu corpo em um abraço quente, mas o mundo Ă© cruel e nĂŁo gosta das pessoas que amam. Nos apertamos em um longo abraço, como amigas que nĂŁo se vĂŞem há anos. Um beijo no rosto demorado e ela me entregou as rosas. Eu, boba que sou, quase chorei emocionada com o gesto. Sem pensar, dei outro beijo em agradecimento. Um gesto que talvez tenha durado mais do que o esperado, mas ninguĂ©m parecia notar. SaĂmos de mĂŁos dadas pelo passeio do shopping, rindo de bobagens, falando sobre coisas que já sabĂamos uma da outra, como se o nervosismo tivesse se dissipado de repente.
— Garota, preciso muito te dar uns beijos! — soltei, meio rindo, meio séria, incapaz de segurar mais aquela vontade que parecia explodir dentro de mim.
Ela parou por um segundo, me olhando com aquele sorriso de canto.
— Banheiro ou cinema? — respondeu, inclinando um pouco a cabeça, os olhos brilhando e um sorriso com malĂcia.
As palavras saĂram ao mesmo tempo, como se já tivĂ©ssemos ensaiado:
— Cinema!
Rimos juntas, cĂşmplices, enquanto apressávamos o passo, quase correndo. Sem pensar muito, escolhemos o primeiro filme disponĂvel. NĂŁo importava o tĂtulo ou a histĂłria, sĂł querĂamos dois assentos nos piores lugares, aqueles que ninguĂ©m normalmente escolhe. A fila estava vazia, e isso era um bom sinal. Poucas pessoas lá dentro significavam menos olhares curiosos.
Eu estava nervosa e ansiosa, as mãos suando levemente, mas ela parecia tão calma que me desarmava. De vez em quando, ela me puxava para um abraço, me roubava um beijinho no canto da boca ou ajeitava meu cabelo atrás da orelha, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Cada gesto dela era suave, mas carregado de intenção, e eu sentia o coração disparar. Eu não queria esperar mais. E logo, ali dentro, não precisaria mais.
Esperamos ansiosas as luzes se apagarem, maldosamente lançando olhares ao redor para assegurar a privacidade que tanto desejávamos. Os casaquinhos trazidos como pretexto para o frio inexistente tinham, na verdade, outra missão — criar um pequeno refúgio para o que estava por vir. Entre risos cúmplices e maliciosos, nos entreolhamos, e então aconteceu: nosso primeiro beijo.
O toque dos nossos lábios foi suave, quase em câmera lenta, como se o tempo tivesse escolhido pausar para nos observar. O leve aroma do seu batom flutuava nas minhas narinas, e minha mĂŁo buscou instintivamente o seu rosto, repousando em um afago delicado. Entre beijos curtos e risos baixos, nossas bocas se encontraram mais uma vez, e entĂŁo nossas lĂnguas dançaram pela primeira vez. Aquele instante queimou como uma chama viva, consumindo tudo dentro de mim.
O calor subiu pelo meu corpo, atravessando-me em ondas, enquanto seu abraço me envolvia, ao mesmo tempo intenso e protetor. Nossas bocas se abriram ainda mais, cedendo espaço para a paixĂŁo que agora dominava. Era impossĂvel nĂŁo sentir o efeito que isso tinha em mim, percorrendo lugares mais secretos, mais Ăntimos, enquanto o desejo fazia seu caminho entre sussurros e sensações.
— Assiste ao filme, garota? — provocou ela, com um sorriso malicioso que não enganava ninguém.
— Que filme? — rebati, num tom igualmente brincalhão, enquanto ajustava minha postura, obediente, mas antecipando cada segundo do que ela planejava.
Eu fixava um olhar perdidos na grande tela, mas minha mente não estava ali. Ela deitou sua cabeça no meu ombro, e por um instante, a curiosidade tomou conta de mim: o que ela estava tramando?
Não demorou muito para descobrir. Um riso, infame e suave escapou dos seus lábios antes que uma mão decidida encontrasse o caminho entre os meus joelhos, pedindo passagem. As unhas deslizaram levemente pela pele das minhas coxas, arrancando de mim um suspiro pesado que escapou sem permissão. Virei o rosto para ela, meus olhos provavelmente arregalados, mas ela apenas sorriu — um sorriso maldoso — enquanto sinalizava com um gesto sutil para que eu me controlasse.
— Tira a bunda da cadeira! — ordenou ela, sem nem tentar esconder o sorriso travesso.
— Quê? Tá maluca? — retruquei, quase rindo de nervoso.
— Quero tirar sua calcinha! — declarou, rindo baixinho, como se fosse a ideia mais natural do mundo.
— Não, doida! Arrasta pro lado, eu não quero ficar sem calcinha no cinema! — respondi, tentando manter a compostura, mas meu rosto já denunciava o calor da situação.
Tentei resistir, segurando o tecido como se fosse minha dignidade, mas não durou muito. Entre risos abafados e provocações, cedi. A calcinha, completamente molhada, foi parar na minha bolsa, enquanto eu sentia o rosto pegar fogo de vergonha. A cada movimento, o ar fresco contra minha pele só aumentava o arrepio — e a adrenalina de estar sentindo frio num lugar incomum.
O clima era um turbilhĂŁo delicioso de excitação e travessuras juvenis. Éramos como adolescentes fazendo arte, e eu sabia que havia lugares onde poderia me entregar completamente a ela. Mas a aventura de estar ali, de rir com ela tĂŁo perto, me deixava ainda mais arrebatada. Seu riso, seu calor, tudo nela parecia um convite para o impossĂvel.
Seus dedinhos bobos, exploravam mais do que o necessário. Ela sabia exatamente onde tocar, mas não buscava meu prazer — queria me provocar, e apenas isso. Desajeitados, deslizaram pela minha umidade, encontrando o caminho entre meus lábios em busca de uma entrada. Quando chegaram ao destino, eu já não tinha forças para resistir. Entreguei-me, relaxando na cadeira enquanto meus movimentos a incentivavam ainda mais; sem perceber, eu rebolava.
Minhas pernas se abriram o máximo que a prudência permitia, dando espaço para que ela me invadisse ainda mais profundamente. Um gemido escapou dos meus lábios, mas foi rapidamente silenciado pela pressão firme de sua mão cobrindo minha boca.
Eu tentei me controlar, meu corpo inteiro se contraiu em resistĂŞncia, mas a intensidade me dominou. Veio como uma onda avassaladora, impossĂvel de conter. Minha vontade cedeu, e eu já nĂŁo tinha forças para lutar ou gritar.
A explosĂŁo começou no centro do meu corpo, irradiando calor pelas pernas, pela barriga, subindo atĂ© os seios, que estavam sensĂveis, rĂgidos, em chamas. Eu tremia. O inevitável havia acontecido: eu tinha gozado, ali mesmo, no meio de uma sala de cinema, nas mĂŁos de alguĂ©m que eu havia conhecido pessoalmente há menos de uma hora.
— Você precisa se controlar — sussurrou, a mão firme cobrindo minha boca antes que qualquer som escapasse.
— Não dá… caralho… Gozei — murmurei contra seus dedos, tentando conter o suspiro que ameaçava me trair.
— Não acredito… você realmente gozou? — disse ela, com um sorriso entre divertido e incrédulo.
— Você acha que isso é brincadeira? — retruquei, a respiração ainda descompassada, tentando recuperar o controle.
— Você tá falando isso para me provocar ou gozou de verdade? — A voz dela carregava um misto de diversão e dúvida, como se estivesse adorando o caos que causava.
— Sim, cacete. Tira a mão de mim por favor — pausei, ainda lutando contra os efeitos colaterais da explosão que tinha acabao de sentir.
Subitamente, ela revirou os dedos dentro de mim, arrancando um Ăşltimo suspiro. EntĂŁo, com um movimento lento e deliberado, retirou a mĂŁo, exibindo o resultado com um olhar malicioso.
— Olha como vocĂŞ está — disse, mostrando os dedos completamente molhados. O lĂquido pegajoso brilhava, escorrendo atĂ© o corpo de sua mĂŁo, como uma prova de quĂŁo excitada eu estava.
Sem desviar os olhos de mim, levou um dos dedos Ă boca, experimentando o gosto com um gesto provocante.
— Toma — disse ela, oferecendo-me o outro.
Era meu gosto. Um sabor que eu conhecia muito bem, mas naquele momento parecia diferente, parecia que tinha algum tempero que me excitava cadda vez mais.
— Você é completamente louca, sabia? — sussurrei, puxando-a para perto e beijando sua boca quente em um beijo intenso.
— Preciso fazer xixi! — ela disse, entre risos, me empurrando de leve.
— Você acha mesmo que vou sair daqui assim? — sussurrei, tentando parecer firme, mas falhando miseravelmente.
— Relaxa. NinguĂ©m vai notar… a nĂŁo ser que eu levante sua saia agora — ela provocou, segurando minha mĂŁo e me puxando em direção Ă saĂda.
— Tá brincando, né? Isso é um pesadelo! — murmurei, escondendo o rosto com a bolsa.
— Anda logo, ou vou ter que resolver isso no meio do corredor — respondeu, rindo.
E saĂmos as duas para o banheiro, antes do meio da sessĂŁo. O que viria a acontecer, eu conto em outra hora!