Estávamos brigados. Ele nunca fazia as tarefas da casa como deveria e deixava tudo uma bagunça. Eu, tão exigente com a ordem e a limpeza, não conseguia suportar o descuido. A discussão foi feia, e por três dias quase não trocamos palavras. A casa estava carregada de um silêncio pesado, tenso. Mas, naquela manhã de sábado, ele encontrou um jeito inesperado e especial de quebrar o gelo e nos aproximar novamente.
Ainda sonolenta, permaneci na cama. O espaço ao meu lado estava vazio e frio, sinal de que ele havia se levantado há algum tempo. Eu não ia chamá-lo; o orgulho e a mágoa ainda falavam alto. Permaneci ali, tentando espantar a preguiça do corpo, até que ouvi um som vindo da cozinha.
Eram barulhos de movimento: gavetas abrindo e fechando, louça sendo organizada, o fluxo de água na pia. Em meio a isso, a voz dele quebrou o silêncio:
— Amor, onde tem sabão em pó?
Aquela era a nossa dinâmica. Brigávamos, ficávamos dias de cara fechada, e depois ele tentava me agradar de algum jeito. Mas, no fundo, eu sabia: essas mudanças nunca duravam. Os esforços, por mais doces que fossem, sempre acabavam sendo pequenos e insuficientes.
Levantei-me devagar, com aquele ar resignado de quem sabe que o dia não começou exatamente como gostaria. Espreguicei-me junto à beirada da cama, sentindo os músculos ainda pesados de sono, e prendi o cabelo rapidamente com um elástico. Sem pressa, calcei os chinelos, ajeitei minha roupa leve de dormir e caminhei em direção à cozinha, já preparada para dar uma bronca. Afinal, não era incomum ele começar algo e deixar pela metade.
Mas quando cruzei a porta, minha irritação foi interrompida de forma quase cômica. Ele estava lá, um pouco desajeitado, mas claramente se esforçando. Jovem, de músculos definidos que os gestos do esforço que fazia, destacavam ainda mais, vestia apenas um avental florido de beleza duvidosa que mal cobria o necessário, seu predicado se avolumava por baixo do avental e suas costas fortes estavam à vista revelando um bumbum redondo e macio. A cena era tão inesperada que um riso escapou antes que eu pudesse controlar.
— O que é isso? Por que você está nu limpando a cozinha? — perguntei, tentando soar irritada, mas a curva do meu sorriso já traía o tom de voz.
Ele se virou, tentando demonstrar inocência, segurando um pano de prato em uma das mãos e a expressão cafajeste naquele sorriso branco. O avental prendia meus olhos, parecia ainda menor agora que o via de frente. Tentei manter a compostura, mas meus olhos escorregaram por aquele corpo que, mesmo familiar, nunca deixava de chamar atenção.
— Pensei que fosse um jeito de te agradar — respondeu ele, com um sorriso de canto de boca que misturava inocência e provocação.
Eu cruzei os braços, ainda parada à porta, fingindo indignação. Mas a verdade é que uma faísca diferente já tinha apagado a maior parte da raiva que eu sentia minutos atrás. Não era só pela tentativa desajeitada, mas pelo esforço sincero que ele colocava ali, mesmo sem saber exatamente o que estava fazendo.
— O senhor agora pretende ser a minha empregadinha? — provoquei, cruzando os braços enquanto tentava manter a expressão séria.
Ele apenas riu, descontraído, como se não houvesse nada de anormal na situação. O suor brilhava em sua pele morena, e a manhã quente prometia um dia ainda mais abafado. As gotas escorriam lentamente por seu rosto, destacando a linha da mandíbula e os traços marcantes que sempre me atraíram.
— Você está todo suado já — comentei, revirando os olhos. — Limpe esse rosto, mas não use o pano de prato!
Ele olhou ao redor, procurando algo que pudesse usar, mas não encontrou. Foi então que, sem pensar muito, levou o avental à testa e o usou para se secar. O movimento, simples e despreocupado, teve um efeito inesperado em mim.
Sob o tecido que ele ergueu, revelava-se aquele corpo que eu conhecia tão bem. Minha boca se abriu levemente, quase sem perceber, enquanto meus olhos deslizavam para a visão que ele acabava de expor. Abaixo do avental, pendia o membro que tantas vezes me preenchera e me enlouquecera. Mesmo em repouso, ele era impressionante — uma mistura de força e suavidade, acompanhado pelos contornos bem cuidados que tornavam a visão ainda mais hipnotizante. Ele era volumoso, mesmo em descanso tinha um belo porte, todo ele era feito do mesmo tom de um caramelo claro e cuidado para não crescer nenhum pelo sequer. Não havia pele que lhe cobria a glande rosada que parecia uma enorme joia que pendia no tronco. Parecia uma fruta saborosa que madura pedia aos observadores para ser colhida. Seus testículos ornavam emoldurando o seu pênis, compondo harmoniosamente um belo sexo masculino.
Engoli em seco, tentando disfarçar o calor que subia pelo meu rosto e o desejo que começava a pulsar em meu corpo. Meu orgulho ainda queria manter a pose, mas meu coração e minha pele já estavam inclinados a outro tipo de reação.
A louça do dia anterior repousava organizada no escorredor, limpa e brilhando, enquanto a pia ainda estava úmida, como resultado da tarefa recente. Meu olhar percorreu cada detalhe em uma inspeção automática, e, para minha surpresa, parecia que tudo ali estava em ordem. Apesar disso, elogiar por algo que eu considerava uma obrigação básica estava fora de questão.
— Agora, empregadinha — disse, com uma sobrancelha arqueada e o tom propositalmente provocador —, passa o rodinho e seca essa pia molhada, não queremos nada molhado aqui!
Cruzei os braços novamente, como quem espera que ele acate as ordens, enquanto uma ponta de diversão misturava-se à seriedade. Afinal, se ele queria se redimir, não ia escapar de cumprir o serviço até o fim.
Quando ele se virou de costas, meus olhos foram atraídos para o movimento natural de seu corpo. Seu bumbum, perfeitamente desenhado, parecia encenar uma dança a cada passo ou gesto que fazia. A pele, marcada sutilmente pelos contornos da roupa de praia, revelava os limites exatos onde o sol havia beijado sua perfeição. Era como se o corpo dele guardasse a lembrança de dias quentes, livres de qualquer outra marca além dessas.
A maneira como ele se inclinava parecia conspirar contra minha sanidade. Cada movimento de seus músculos, cada gesto despretensioso, incendiava algo em mim que eu tentava, em vão, controlar. Meu olhar permanecia fixo, hipnotizado, enquanto o calor que subia pelo meu corpo me envolvia como um abraço febril, denso e inevitável.
Entre minhas coxas, o desejo pulsava, não como um simples capricho, mas como uma fome que se espalhava, invadindo-me com ondas de calor líquido. Senti-me úmida, entregue ao querer que explodia sem permissão. Minhas pernas se comprimiram, como se tentassem conter o prazer solitário que começava a nascer dali, enquanto meus sentidos pareciam intensificados — cada respiração, cada batida do coração, uma nova forma de sentir.
Meus seios endureceram ao toque do tecido que me cobria, sensíveis a ponto de parecerem implorar por um contato que eu não ousava dar. Era um tormento doce que subia em espirais por minha pele. Nunca imaginei que algo tão mundano — ele, passando um rodinho na pia — pudesse me levar a esse estado de completa rendição ao desejo. Mas ali estava eu, respirando fundo, tentando desesperadamente manter o controle, enquanto ele fazia do trivial um espetáculo capaz de me desarmar por inteira.