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1378 palavras
7 minutos
Entre a pureza e o desejo

Somos primas, e nossas jornadas de descoberta sempre caminharam lado a lado. Os primeiros meninos, os primeiros beijos, os segredos mais íntimos – tudo era compartilhado em conversas de alcova, sussurradas como confissões sagradas. Entre nós, havia uma conexão tão pura e profunda que transcendia o que era carnal ou etéreo. Era amor em sua forma mais genuína, uma força que preenchia os vazios do mundo ao nosso redor.

Recordo-me daquelas férias, quando éramos livres como o vento que soprava pelas terras vastas de nosso avô, o velho Bento. Seus campos eram cortados por cachoeiras cristalinas e riachos que pareciam brotar da terra como convites ao esquecimento do tempo. Costumávamos nos banhar ali, despreocupadas, vestindo apenas roupas íntimas, sentindo a água acariciar nossa pele. Não temíamos nada – éramos apenas nós duas, livres e indomáveis, ela e eu.

O desejo crescente tinha suas amarras, enredado pelo preconceito e pelo sangue que compartilhávamos. Mesmo assim, lembro-me desse momento com uma ternura quase dolorosa. O sol forte aquecia as pedras à beira do açude, onde estávamos sentadas, nossas roupas de baixo ainda molhadas pela água cristalina que pouco escondia os contornos delicados de nossos corpos de meninas. O tecido frouxo mal cobria nossos seios, deixando-nos vulneráveis, mas sem nos importarmos. Éramos risos de pura alegria, beldades etéreas, ninfas para qualquer um que pudesse nos ver ali, tão parte da natureza quanto o açude, a pedra e as árvores que nos cercavam.

Eu me lembro de como a olhei naquele instante. O rosto dela, iluminado pela luz do sol, parecia esculpido por algo divino. Senti o desejo crescer dentro de mim, queimando como o calor da pedra sob nós. Queria sentir o gosto de seus lábios, mas o medo me mantinha imóvel. Não havia coragem de pedir, e ainda assim, ela parecia sentir o mesmo. Estávamos sentadas lado a lado, o silêncio preenchido apenas pelo som da água e nossos corações batendo, rápido e forte.

Ela se virou, os olhos encontrando os meus, e por um momento o mundo pareceu parar. Ficamos assim, perdidas uma na outra.

— Seria estranho se a gente se beijasse? — ela perguntou, a voz baixa, quase um sussurro, como se as árvores pudessem ouvir.

— Não… — respondi, o som escapando mais como um suspiro do que como uma palavra.

Foi então que nosso primeiro beijo aconteceu. Começou lento, tímido. Seus lábios eram pequenos e sua boca semi-cerrada, uma entrega que revelava sua inexperiência. A ponta de sua língua roçava a minha, provocando uma leve cócega, enquanto o gosto dela era uma descoberta que me invadia por inteira, despertando um prazer que eu nunca havia sentido antes. Queria estar mais perto, mais dentro dela, como se isso fosse possível. Desejava ser uma com ela, dissolver as barreiras entre nossos corpos e nossas almas.

Meu corpo, arisco e febril, dava sinais claros do que acontecia dentro de mim. Senti o calor subir ao meu rosto, a vermelhidão me entregando. Meus mamilos, rijos sob o tecido fino do sutiã, enviavam uma mensagem inconfundível de sensibilidade e excitação. Entre minhas pernas, um formigamento pulsante, inédito, me fez entender – aquele era o desejo. Queria tocá-la, ser tocada por ela, ali mesmo, sem reservas, sem medo.

O beijo, que começara com hesitação, foi se tornando mais quente, mais urgente. Nossas bocas se moviam com fome crescente, até que a necessidade por ar, ou talvez algo maior, a fez interromper.

Ela afastou-se, com os lábios avermelhados e inchados pelos beijos, os cabelos desgrenhados emoldurando sua expressão, que misturava prazer e vergonha. Tentava recuperar o controle, ajeitando os fios em silêncio, enquanto seus olhos evitavam os meus.

— Estou sentindo… coisas! — ela disse, a voz trêmula, quase um suspiro.

— Sede? — provoquei com um sorriso, apontando para a água ao nosso redor. — Olha quanta água ali.

Ela riu, desconcertada, mas seus olhos carregavam um brilho que eu nunca havia visto antes.

— Vamos dar mais um mergulho — respondeu, escapando para o rio, como se a água pudesse apagar o incêndio que havíamos começado juntas.

Da rígida pedra fizemos uma plataforma para nosso salto. Em um mergulho conjunto, nossos corpos cortaram a superfície da água como se dançassem um balé submerso, entrelaçados como se fôssemos duas sereias convocadas pela mesma canção. A correnteza nos aproximava mais, e eu podia sentir os seios dela roçando os meus, a suavidade da pele contrastando com a intensidade do momento. Então, fui envolvida por um abraço que era ao mesmo tempo íntimo e carregado de um erotismo que nos queimava, mesmo sob a água fria.

As mãos dela, tão hesitantes antes, agora tinham um objetivo claro. Procuravam, exploravam, tocavam partes de mim que, até aquele momento, eram segredo até para mim mesma. Suas carícias deslizavam por baixo do fino tecido, invadindo espaços escondidos e despertando sensações que eu mal sabia nomear.

Um novo beijo emergiu – mais feroz, mais faminto. Era como se todo o desejo reprimido entre nós explodisse de uma só vez. A força de seus lábios contra os meus, a intensidade de suas mãos vagando pelo meu corpo, tudo contribuía para aquele momento único. Abaixo da superfície, sentia a umidade dela misturar-se à minha, uma fusão tão poderosa que parecia apagar o limite entre nós.

Gemidos abafados escapavam de nossas bocas, misturados ao som da água que nos cercava. Não eram palavras – eram sons primais, instintivos, a linguagem universal do desejo. Perdidas uma na outra, o mundo ao redor desapareceu. Ali, naquele instante, éramos apenas nós, movidas pela corrente de algo maior do que qualquer uma poderia controlar.

Minhas pernas envolveram sua cintura, prendendo-a contra mim como se quisessem fundir nossos corpos em um só. O toque de sua pele em meu sexo era meu ponto de ancoragem, e meus braços, abandonando qualquer hesitação, apertaram-se ao redor de seu pescoço, como se eu temesse que ela pudesse escapar. Queria senti-la por inteiro, desejava-a de forma quase primitiva, enquanto a água fria corria por minhas vergonhas, contrastando com o calor que nos consumia.

Seus dedos, trêmulos e decididos, exploraram as dobras mais íntimas do meu corpo. A primeira invasão foi desconcertante, misturando uma pontada de dor e um prazer desconhecido, como algo que me rompia para me preencher de uma nova forma. Um suspiro entrecortado escapou dos meus lábios, uma mistura de surpresa e entrega, enquanto eu a sentia dentro de mim. Era uma sensação crua e incontrolável, eu sentia meu pompoar sobre seus dedos que pareciam que seriam esmagados dentro de mim, cada músculo respondendo ao fogo que agora ardia em nós.

Seus movimentos, desajeitados e urgentes, eram como uma dança imperfeita, mas ainda assim, profundamente íntima. Cada toque, por mais bruto que fosse, carregava algo mais profundo, algo que parecia maior do que nós. A água nos cercava como testemunha silenciosa, enquanto um calor indescritível crescia em meu ventre, se espalhando por todo o meu corpo.

O momento era uma tempestade de sensações: o desconforto misturado ao prazer, a delicadeza contrastando com a força, tudo em uma dança caótica que fazia meu corpo estremecer. O desejo era avassalador, insaciável, e a cada movimento dela, meu corpo parecia ceder mais. Eu já não tinha controle. Tudo em mim clamava por ela, e naquele instante, naquela fração de segundo, o mundo perdeu os contornos.

Meus olhos ficaram turvos, as forças abandonaram minhas pernas e braços, deixando-me à mercê daquela explosão que tomava conta de mim. Era como se uma onda me puxasse para o fundo, incapaz de resistir, e eu me deixei levar sem hesitar. Um grito escapou da minha garganta – alto, rouco, um grito de súplica e entrega absoluta.

Sob o toque firme de sua mão, meu corpo rompeu todas as barreiras. Pela primeira vez, fui completamente tomada, entregando-me ao ápice de tudo o que sentia. O prazer me atravessou como um raio, arrancando de mim qualquer vontade de resistir, qualquer pensamento que não fosse aquele momento. Sob sua mão, pela primeira vez na vida, senti a plenitude de um orgasmo, algo tão intenso que parecia apagar tudo ao meu redor.

Ela era minha prima, e aquele foi o meu primeiro e mais inesquecível orgasmo. Nada poderia apagar a memória daquele instante – a força, o desejo, o fogo que queimava entre nós. Era proibido, era errado, mas era real. E naquela tarde, entre a água fria e o calor dos nossos corpos, descobri uma parte de mim que jamais havia conhecido.

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