Ocasionalmente nos vemos infelizes, aprisionados em relações desgastantes, mas prosseguimos por conveniência. Eu nunca fui uma pessoa que gosta de confrontos, e, ao menos, ele parecia feliz. Meu namorado é um bom sujeito, mas é limitado no sexo e é pouco receptivo ao diálogo. Ele se ofende sempre que tento mostrar o que me agrada, o que me deixa frustrada. Tantas ideias já passaram pela minha cabeça, tantas possibilidades de quebrar a monotonia, mas ele sempre escolhe o caminho mais fácil, rápido e previsível.
Ultimamente, um pensamento proibido não sai da minha mente: um misto de desejo e vingança. Queria entregar-me a um amigo dele. Queria destruir a reputação cristã que ele tanto valorizava. Queria sentir-me humilhada. A falta de ser atendida como mulher, fazia-me crescer uma fúria rompante. E não pense que ele não foi avisado. Na nossa última briga, eu disse claramente, sem rodeios, que, se ele não assumisse o papel de homem dentro de casa, eu faria questão de procurar isso nos amigos dele. Ele foi alertado com todas as letras. E isso aconteceu logo que a ameaça foi feita.
Eu havia escolhido uma vítima, ele era apenas um amigo habitual na casa do meu namorado, mas, naquele dia, eu o iria atacar com todas as minhas armas. O vestido um pouco mais curto, a maneira de cruzar as pernas no sofá, e o olhar prolongado, disfarçado de uma brincadeira casual. Eu sabia o que estava fazendo.
O amigo dele sempre foi o oposto do meu namorado: confiante, com um sorriso fácil que escondia algo mais profundo, uma faísca de malícia que eu nunca tive coragem de explorar… até agora. Era quase insuportável a forma como ele se movia pela sala, tão à vontade, como se já soubesse o poder que tinha sobre mim. Ele me olhava há tempos, sorria desnecessariamente para mim e estava sempre curioso sobre a minha intimidade.
A conversa fluía banalmente entre os três, enquanto meu namorado falava sem perceber o jogo que acontecia bem debaixo do seu nariz. Meus olhos encontraram os dele em momentos sutis — demorados o suficiente para fazer o sangue ferver. Quando meu namorado foi para a cozinha, aproveitei.
— Hoje eu vou usar você cara? — Minha voz saiu baixa, como um segredo arrancado à força.
— Oi? Está maluca? — A face do maior espanto estava estampada em seu rosto.
Com o semblante surpreso, não recuou. Pelo contrário. Aproximou-se o suficiente para que eu sentisse o calor do seu corpo.
— Isso é perigoso — disse ele, com um sorriso de canto e olhos atentos na porta.
— Eu sei, foda-se! — respondi, sem hesitar.
Minhas mãos tremiam, mas minha determinação não. Era uma escolha que eu sabia que não poderia desfazer, mas, naquele momento, o peso das consequências parecia pequeno diante da ânsia de quebrar as correntes que me prendiam. Quando meu namorado voltou, tudo estava no lugar — exceto a excitação que fervia dentro de mim, e um clima de tensão entre nós dois.
A tensão só crescia! Cada pequeno gesto dele parecia uma provocação: o jeito que segurava o copo, como me lançava olhares discretos, ou o modo casual com que me tocava. Eu já estava consumida por esse desejo insano, mas, a cada segundo, parecia mais impossível desistir.
Meu namorado, covarde, sem saber como deveria agir ante a consumação da minha ameaça sob seus olhos, buscou suas chaves di ndo precisar comprar algo no mercado.
— Só um minuto, não vou demorar — disse desviando o olhar e suando frio enquanto tentava achar o caminho para uma saída rápida quase em pânico.
— Você vai permanecer aqui, aprenderá com ele a forma correta de tratar uma mulher. Se sair por essa porta, não volte mais! — Eu era o retrato da ira perante dois homens surpresos, praguejando em alto volume palavras em tons dissonantes.
Mudo, o homem resignado sentou-se num canto da sala com feição de culpa e então tudo desabou. O silêncio ensurdecedor fez com que parecesse que estávamos em um campo minado, onde o menor erro poderia ser fatal.
— Você não devia brincar assim — disse o amigo, com a voz traindo a seriedade tentando perceber se aquilo se tratava de alguma brincadeira.
Eu ri em resposta, não de nervoso ou graça, mas com a ousadia que nem sabia que tinha. Caminhei até ele, devagar, impávida como se cada passo fosse calculado para deixar claro a majestade de toda a minha feminilidade.
— E quem disse que eu estou brincando? — sussurrei parando perto o suficiente para sentir sua respiração pesada enquanto apalpava o que tanto ele gabava de ser grande.
Por um segundo, achei que ele recuaria. Talvez ele pensasse no amigo que o considerava um irmão, no que aquilo poderia causar, mas, eu vi o instante exato em que ele desistiu de lutar consigo mesmo. Seu olhar endureceu, suas mãos se ergueram até minha cintura, e, em um movimento rápido, ele me puxou para si.
O beijo foi avassalador, como se estivéssemos reprimindo isso há uma eternidade. Minha cabeça girava, não apenas pela intensidade do momento, mas pela sensação de decidir finalmente por mim mesma. Ele explorou meu corpo com confiança, como se reivindicando algo que nunca possuíra, mas agora recebia livremente.
Não havia volta! Naquele instante, não quando a adrenalina misturada ao desejo dominava tudo. Ele me pressionou contra a parede, sua respiração entrecortada no meu pescoço, seus lábios percorrendo minha pele como se estivesse descobrindo um território proibido.
Meus cotovelos dançaram sob as alças do vestido, expondo meus seios nus. A temperatura ambiente enrijeceu meus mamilos e um calafrio visceral me fez tremer. Sua face se chocou contra eles com força, como um bezerro buscando o úbere materno. A dor e o prazer de sua sucção molhada me levaram a abrir a boca involuntariamente. Sentia como se sua língua dançasse em um palco com uma pequena chama quente que se perdesse no ar queimando a minha alma e causando desejo.
Aprendi o que era tranquilidade quando suas mãos firmes deslizaram imprecisamente por minhas curvas, explorando cada centímetro com a confiança de quem já havia imaginado isso inúmeras vezes. Minha pele parecia incendiar-se ao toque dele, e minha respiração tornou-se pesada, entrecortada pelos suspiros que escapavam sem controle. Por baixo do vestido, minha calcinha era arrancada e sua mão me invadia de forma apressada.
Tempestuosamente meu corpo deu sinais ao primeiro toque, uma explosão de sentimentos e sensações me abateram retirando de mim as forças que me sustentavam, ele esfregava meu sexo impiedosamente espalhando uma sensação de molhado por minhas coxas. Seus dedos me causavam enorme frenesi e minha boca pronunciava uma cacofonia sem sentido.
— Sua puta!
— Repete!
— Sua puta, vadia!
— Me faz sua puta então!
Com um golpe, eu fui lançada ao chão, posta de joelho diante dele como se fosse uma escrava posta para agradar seu senhor, e, diante de mim, ele, meu algoz, se desvencilhava das amarras do eu membro revelando diante de mim um pau esplêndido que me fez suar na mais breve contemplação. Dominada pela mão que segurava minha cabeça de maneira bruta, abri a minha boca para receber o que me cabia. Ele me penetrou, transformando meus lábios em um sexo amplo, aquela carne firme se apropriou do espaço oral encontrando obstáculo apenas em minha garganta. Um fluxo de saliva brotou do sufocamento, seu sabor era suave e morno. Na violência do ato eu me encontrava perenemente passiva e dele.
Sua mão maldita, rasgou o ar num tapa, seguindo uma cusparada em minha face, o que deveria me humilhar, me fez chorar de alegria, com a maquiagem escorrendo, louca, eu ria, suja e babada, prostrada ante ele. A ardência na face me causava um estranho prazer que antes eu não havia sentido. Fui empurrada pela sola de seus pés para o chão, chutada como uma cadela.
— De quatro mulher!
Eu fui invadida de forma a me causar profunda dor por algo quente que tomou de assalto minha vagina. Eu urrei quando minhas carnes foram brutalmente preenchidas, a textura era sentida com clareza, eu podia diferenciar o que era cabeça e corpo. A dor do meu útero, me dizia para sair dali imediatamente, mas eu me sentia ancorada sem entender o motivo ao qual aguardava por mais, e mesmo que tentasse eu já havia sido domada por ele que me segurava pelos cabelos.
O barulho do choque das nossas peles era ensurdecedor, o impacto podia ser sentido em minha espinha e as ondas se espalhavam até a base do meu pescoço fazendo estremecer os meus pensamentos a atrapalhando o meu juízo. Em berros eu clamava para que ele parasse, suplicava por mais leveza, as lágrimas vertiam profusamente dos meus olhos — Mas, eu ainda sorria.
A sala parecia ter desaparecido ao nosso redor. Não havia culpa, nem futuro, apenas o presente – o calor do seu membro, os gemidos abafados, o ritmo crescente que nos unia de uma forma que eu nunca havia experimentado antes. Era libertador e maligno ao mesmo tempo, como se estivéssemos desafiando não apenas os limites, mas também as regras que até então me aprisionavam.
Então, tudo se tornou turvo e confuso, os sons estalados cessaram quando senti um jorro dentro de mim, tudo se fez molhado e o prazer me surrou a alma fazendo eu tombar largada e inconsciente da minha existência. Meu espancamento cessou e era apenas possível ouvir uma respiração pesada e gotas de suor que caíam nas minhas ancas empinadas. Deitada de bruços algo me escorria pelas pernas — a dignidade.
Mas a realidade não demorou a bater à porta – literalmente. O som da chave na fechadura me arrancou daquele transe. A porta da casa se fechava atrás do meu namorado que assistiu quieto tudo aquilo.
Minha cabeça ficou no carpete, e em paz aguardava meu coração bater calmamente mais uma vez. Tudo havia terminado e o que era desconfortável teve significado, esvaziada como estava me sentia definitivamente preenchida. Ele me olhou como se quisesse falar algo, mas não precisou — estava tudo ali, no brilho intenso de seus olhos.