Algumas relações etéreas nos tocam mais profundamente do que aquelas vividas sob o peso do real. Nem tudo no mundo precisa ser palpável. Quando a conheci, nunca havia sentido o cheiro ou o calor da sua pele; seu rosto era apenas um avatar minúsculo na tela do meu celular. Mas, juntas, com palavras e imagens, esculpimos um universo inteiro de desejo e entrega. Era algo que fluía além das limitações do corpo: intenso, imaterial e ainda assim devastadoramente íntimo.
Ela surgiu como um cometa atravessando minha órbita — uma notificação inesperada, resposta tímida a um story no Instagram. Eu, curiosa, respondi de volta, e ali começou algo que eu não sabia que se tornaria uma tempestade. Ela era, à primeira vista, uma menina comum: 23 anos, dividida entre estudos e trabalho, mas havia algo em suas palavras, no jeito hesitante com que revelava partes de si, que me prendia. Quando disse, quase como um segredo, que nunca havia se deitado com ninguém, nem homem, nem mulher, senti uma faísca do desejo e curiosidade me atravessar.
Não era inocência que ela carregava, mas uma fome. Era uma mulher feita — linda, de olhar firme e risos ocasionais que pareciam esconder segredos. Havia algo magnético em sua independência, mas também uma vulnerabilidade que me fazia querer mergulhar nela. À distância, nossas conversas se transformaram em algo mais. No princípio era a curiosidade, depois vieram as palavras mais quentes, as fantasias trocadas em mensagens que ficavam cada vez mais longas, cada vez mais tarde na noite.
Ali, a quilômetros de distância, as palavras trocadas se tornavam a única ponte entre nossos corpos. Ela se despia em palavras, e eu fazia o mesmo, até que éramos duas almas nuas, rendidas à ideia ardente uma da outra. A cadeira onde eu me sentava transformava-se em um altar; meu corpo era a oferenda, e ela, a devota que o venerava com adoração em cada frase. Suas palavras tinham um poder hipnótico, moldando meu pensamento, solidificando sensações. O toque dela tornava-se real, o calor da pele, o arrepio provocado pelo imaginar, e a umidade que denunciava o desejo que escorria sem barreiras.
Eu estava nua, as pernas cruzadas num gesto de contenção precária, enquanto minhas mãos oscilavam entre segurar o telefone e explorar meu próprio corpo. Seu comando me alcançava como um sussurro direto ao ouvido, sua língua imaginada dançando em minha boca com uma intensidade tão vívida que minha respiração se embaralhava. Sua presença ausente retumbava na minha pele; eu sentia o peso de suas mãos, a força de seus dedos que pareciam apertar minhas coxas e tomar meus seios.
Quando a boca que ela descrevia desceu para envolver meu mamilo, foi como se minha alma tivesse sido arrancada num êxtase súbito. Eu me derretia com a imagem, cada palavra dela se tornando uma chama que queimava lenta e deliciosamente. Era ousada, atrevida, voraz, e eu estava entregue a ela de corpo e pensamento.
Tentava responder, traduzir em palavras o que sentia, mas logo desistia. Cada toque meu era uma extensão dos seus comandos, cada gemido abafado meu era uma oração ao que ela me fazia sentir. Eu estava à mercê de uma presença que jamais havia tocado meu corpo, mas que, de alguma forma, era mais real do que qualquer outra.
Com as pernas arqueadas, entregue à espera de toques que não viriam, eu me fazia receptiva a um desejo que me consumia sozinha. Sentia-me escorrer, líquida, pelas partes mais íntimas do meu corpo, a umidade que deveria ser bebida por ela agora traçava caminhos pelo assento que me sustentava. Estava quente, febril; o mais leve toque sobre o meu maior ponto de prazer era como uma fagulha que incendiava cada nervo, ameaçando encurtar aquele êxtase. O orgasmo, ansioso, aguardava minha permissão para nascer, à beira do precipício que minha mão segurava com firmeza e hesitação.
Meus dedos, decididos, buscaram a escuridão eterna de minhas próprias profundezas, revelando-me outra vez os segredos de minhas texturas. Eu me preenchia, me explorava, me abusava como quem se encontra no abandono mais íntimo. O mundo ao meu redor desaparecia; havia apenas o som abafado da minha respiração ofegante, o cheiro inconfundível do meu sexo que flutuava no ar, visitando minhas narinas e me embriagando. O gosto salgado do meu próprio corpo surgia nos meus lábios, trazido pela curiosidade insaciável de minha língua, enquanto o desejo irrefreável de ter sua boca tocando minhas vergonhas pulsava em cada célula.
— Lambe-me, chupe-me, me coma! — era o clamor desajeitado que ela entendia, arrancado de mim em uma frase mal escrita, mas carregada da urgência do desejo. A cada palavra, eu a imaginava ali, me devorando, preenchendo o vazio onde minhas mãos agora reinavam sozinhas. Era ela quem eu queria, era ela quem precisava me salvar da fome que eu mesma criava.
Seus comandos me conduziram ao fim, como uma folha ao vento, perdida e entregue, até que fui golpeada com força e arrastada furiosamente ao chão. O impacto veio como um choque elétrico, uma dor que não era dor, mas a tensão suprema que tomou meu corpo inteiro, retesando cada músculo de forma implacável. Eu quis gritar, quis liberar o clamor que vinha da minha alma, mas o domínio de meu corpo não era mais meu. O som ficou preso, um grito longo e silencioso de agonia e êxtase que ecoou na quietude da casa vazia.
Meu corpo inteiro tremeu, um espasmo que me deixou frágil, e me encolhi para o lado, buscando conforto em mim mesma, sozinha. Minha mão, antes instrumento de prazer, estava agora coberta pelo líquido quente do meu próprio gozo, a prova da rendição final ao desejo. Era o jorro incontrolável do meu corpo, o anúncio de que a troca de mensagens havia alcançado seu clímax.
Eu havia gozado para ela. Mais do que isso, eu havia sido dela — corpo, mente e alma. Cada palavra dela havia esculpido o prazer que explodiu em mim, e agora, enquanto me deixava levar pela exaustão, estava saciada. Uma felicidade plena e íntima preenchia o espaço ao meu redor, uma gratidão muda por tê-la tido, mesmo que apenas nas bordas do real.