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996 palavras
5 minutos
O peso de um casamento sem vida

Capítulo 1#

Conheci meu marido, Junior, na faculdade. Foi um romance rápido, movido mais pela necessidade do que pela paixão arrebatadora. Dois jovens ferrados, dividindo não apenas sonhos, mas também a pouca comida que conseguíamos comprar. Era a época das vacas magras, e se hoje sou sincera, admito sem pudor: ele praticamente me sustentava.

Os pais dele ajudavam sempre que podiam, enquanto os meus mal tinham para si. Minha mãe, empregada doméstica, batalhadora, jamais teria condições de bancar uma filha na universidade. Eu fui a primeira da família a conquistar esse direito, e não havia espaço para falhas.

Depois da formatura, a vida seguiu seu rumo. As oportunidades surgiram, e com meu esforço, tudo começou a melhorar. Tudo… menos o casamento. Ele, sempre acomodado, nunca soube o que era lutar pelo que queria. Acostumado a ter tudo nas mãos, não sentia urgência em correr atrás do próprio futuro. Eu, ao contrário, mergulhei de cabeça no trabalho, acumulando 14 horas por dia para construir algo. E fui recompensada pelo meu esforço.

O sexo? Simplesmente deixou de existir. Ele reclamava o tempo todo, mas como eu poderia desejar alguém que passava o dia sem fazer nada? Eu chegava exausta, esgotada, e ainda tinha que ouvir cobranças. Sequer movia um dedo dentro de casa, mas tinha energia para criticar tudo. Tudo o incomodava, sempre havia uma reclamação pronta, um olhar de desdém, um suspiro impaciente.

O que eu sentia por ele se transformou em irritação. Desejo? Não sobrara nada. Às vezes, cedia ao sexo só para evitar uma briga, porque era menos esforço do que me masturbar ou do que lidar com suas queixas constantes. Eu esperava que ele mudasse, que acordasse para a vida, que enfim se tornasse um homem de verdade. Mas esperança não sustenta relacionamentos.

E assim, depois de dois anos de um casamento afundado no marasmo e na frustração, eu finalmente fiz o que deveria ter feito muito antes: terminei.

Houve um término, mas não havia ódio. Entenda… eu o amava, mas não era paixão. Era uma afeição silenciosa, um carinho construído pelo tempo, pelo hábito, pela história compartilhada. No fundo, por mais que tudo estivesse desmoronando, a esperança nunca se apagou completamente.

Eu tinha uma dívida com ele. Não era apenas sobre anos de convivência, era um compromisso, um senso de responsabilidade que me impedia de simplesmente expulsá-lo. Desde que nos mudamos para o novo apartamento, ele nunca conseguiu uma renda decente e, pasmem… eu sustentava tudo. Cada conta, cada refeição, suas roupas, seus joguinhos online. Eu não era mais sua esposa. Eu era sua mãe.

Colocá-lo para fora seria o mesmo que despejá-lo na rua, e essa culpa eu não poderia carregar. Seus pais já haviam deixado claro que não queriam recebê-lo de volta, então fui direta:

— Você tem três meses para conseguir um lugar para ir, porque eu quero entregar esse apartamento e seguir minha vida. Se precisar, eu te ajudo financeiramente.

Não era generosidade. Era compromisso.

Mas talvez você esteja se perguntando: o que, afinal, foi a gota d’água? O que selou o fim definitivo e nos trouxe a esse acordo?

Confesso que me envergonho ao lembrar… Mas para explicar, preciso voltar um pouco no tempo. Um mês e meio antes do término, para ser exata.

Era maio. O clima estava ameno, os dias corriam com leveza. Tínhamos acabado de entregar um grande projeto, daqueles que rendem não só reconhecimento, mas também elogios calorosos. Palestras, viagens para visitar o cliente, reuniões importantes… Era o tipo de vitória que qualquer profissional deseja.

E ao meu lado, dividindo cada conquista, estava Fernando.

Fernando era um furacão de ideias. Um homem de soluções improváveis, sempre um passo à frente. Alto, forte, dono de um físico esculpido pela academia. Mas o que realmente chamava atenção era a energia magnética que carregava. Ele não apenas resolvia problemas, ele seduzia enquanto fazia isso. Era daqueles homens de presença dominante, que você precisa tomar cuidado para não se apaixonar… porque eles são perigosos.

Trabalhávamos na mesma sala, e Fernando nunca foi o tipo mais politicamente correto. Ele, sem um pingo de vergonha, chamava nossa sala de harém. Das quatro mesas, três eram ocupadas por mulheres: eu, como gerente, e duas agitadoras de projeto, Clara e Manuela. Ele era gerente assim como eu.

Minha mesa e a dele ficavam em cubículos separados por paredes de vidro, enquanto as duas ocupavam uma espécie de antecâmara, dispostas como secretárias executivas. As divisórias não iam até o teto, o que significava que, na prática, conseguíamos conversar todos sem sequer precisar levantar a voz.

— Brabinha!

Fiz silêncio.

— Menina enxaqueca!

Dessa vez, não era comigo.

— Encrenqueira!

Uma bolinha de papel voou certeira, atingindo meu rosto.

— Tô falando com você.

Revirei os olhos, soltando um suspiro impaciente.

— Caralho, Fernando, você parece uma criança! O que foi?

Ele sorriu, daquele jeito sacana e provocador que fazia qualquer mulher perder a paciência ou cair na risada.

— Vamos de japa hoje depois do trampo?

Pensei por um instante, pegando o celular.

— Pode ser… Vou ver com o Júnior se ele quer ir.

Por um segundo, notei uma mudança sutil no olhar dele. Mas foi tão rápida que achei que tinha imaginado.

Mandei uma mensagem rápida, mas já sabia a resposta. Júnior não ia querer ir. Ele ficava incomodado com o Fernando, falava mal dele sempre que podia e o criticava em excesso. Não era ciúmes – Júnior nunca foi ciumento – mas, segundo ele, Fernando era um idiota oportunista que crescia na empresa às minhas custas.

— Cês topam, meninas? — perguntei, virando para Clara e Manuela.

— Você vai pagar? — Manuela arqueou a sobrancelha com um sorriso travesso. — Você nunca paga nada pra gente, chefa!

— Fernando paga! — respondi, jogando a provocação para ele.

Ele riu, cruzando os braços com aquele ar de quem adorava ser desafiado.

— Eu pago essa porra. Três gatas na minha companhia? Quando eu vou ter isso de novo?

— Assédio… — cantarolou Clara com um tom cínico, fazendo todos caírem na gargalhada.

O dia passou rápido, o expediente acabou e fomos comer alguma coisa. Era só um jantar entre colegas, sem segundas intenções. Pelo menos, era o que eu pensava.

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