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Entre saquĂŞ, risadas e olhares carregados de intenção, duas amigas atravessam a linha da curiosidade. O beijo acende o desejo, e a noite promete um banho inesquecĂvel.
CapĂtulo 2
Chegamos ao restaurante e, assim que a comida chegou, ataquei o prato sem cerimônia. Eu estava faminta, mas algo no ar parecia estranho. Meu olhar vagava discretamente pela mesa, esperando que Fernando se sentasse ao meu lado. Nos últimos dias, ele vinha jogando algumas indiretas para mim – e, embora eu ainda fosse casada, adorava aquele jogo de sedução. Talvez, inconscientemente, eu estivesse sondando um plano B para o futuro.
Mas, para minha surpresa, ele escolheu um lugar ao lado de Clara e, desde entĂŁo, concentrou toda a atenção nela. A conversa fluĂa como se eu e Manu nem estivĂ©ssemos ali. Eu e minha amiga trocamos olhares confusos, tentando entender o que estava acontecendo. Trabalhávamos juntos há mais de um ano, e Fernando nunca havia agido assim antes.
Ele a cortejava sem pudor, lançando olhares cheios de intenção, sorrisos carregados de malĂcia. A cada palavra, cada gesto, ele fazia questĂŁo de ignorar nossa presença.
— Ih, chefa, acho que estamos sobrando aqui — Manu riu, levantando uma sobrancelha, divertida com a situação.
— Tô vendo isso… Segunda-feira, mando ele pro compliance — brinquei, pegando meu copo de saquê e dando um gole longo, como se isso pudesse aliviar aquela sensação estranha de… ciúme?
Clara, esperta, pegou carona na nossa conversa.
— Compliance sĂł vale se tiver vĂtima — respondeu, mordendo o lábio de um jeito quase teatral, completamente dando mole para ele.
— Ah, vão logo para um quarto, vocês dois! — Manu soltou, impaciente.
E foi exatamente o que eles fizeram.
SaĂram sem dar muitas explicações, mas nĂłs sabĂamos muito bem o que aconteceria a seguir.
— E cadĂŞ o JĂşnior, chefa? — Manu perguntou, apoiando o cotovelo na mesa, os olhos cheios de malĂcia.
Revirei os olhos e suspirei antes de responder.
— Não vem. Tá jogando com os amigos.
Manu franziu a testa e tomou um gole do saquĂŞ, me analisando.
— Ele não é muito de te acompanhar nas coisas, né?
Soltei uma risada seca, sentindo o álcool aquecer minha garganta.
— Em nada…
— Nada? Nadica? — Ela arqueou a sobrancelha, o tom já misturado entre curiosidade e uma certa preocupação.
Suspirei fundo e passei a mão no cabelo, um pouco incomodada com aquela constatação.
— Tá foda, amiga… mas não quero falar disso agora. Hoje, eu só queria beber até cair!
Manu abriu um sorriso largo, um brilho travesso nos olhos.
— Faz tempo que não faço isso. Vamos lá pra casa encher a cara?
— Porra! Vamo? — Me empolguei na hora, sentindo a adrenalina correr no sangue.
Pagamos a conta Ă s pressas, rindo como duas adolescentes planejando uma noite de loucura. Se Fernando e Clara tinham saĂdo para se divertir, por que nĂłs nĂŁo poderĂamos fazer o mesmo? E, naquela noite, o que eu queria era encher o pote!
No caminho, paramos em uma distribuidora e compramos mais bebidas do que duas mulheres precisariam para uma única noite. Chegando ao apartamento de Manu, que era a coisinha mais aconchegante da face da Terra, jogamos os sapatos pelo canto, aumentamos a música e começamos a beber.
A intenção era encher a cara, mas a realidade foi outra: na terceira dose, já estávamos rindo menos e falando mais. O ritmo eufórico da noite se dissipou, e de repente estávamos ali, sentadas no chão da sala, bebendo devagar e jogando conversa fora.
— Tá difĂcil relacionamento, nĂ©, amiga? — Manu suspirou, girando o copo na mĂŁo. — TĂ´ solteira há dois anos!
Arregalei os olhos.
— Dois? Sério? Tu tá dois anos sem bimbar?
Ela riu, negando com a cabeça.
— Não, pô… Eu saio com umas pessoas do Tinder. Mas eu tenho um dedo podre de merda.
— Que triste, amiga…
— Vou virar sapatão, porque com homem tá foda! — Ela disse, jogando a cabeça para trás e rindo sozinha da própria ideia.
A provocação ficou no ar por um segundo antes de eu perguntar:
— E você tem coragem de pegar mulher?
Manu ergueu uma sobrancelha e sorriu de canto.
— Eu já beijei… mas quando a coisa ficou quente, travei. Sei lá, acho que me faltou coragem. E você?
Me ajeitei no chão, mordendo o lábio, sentindo o álcool soltar palavras que talvez eu nem deveria dizer.
— Nunca peguei… Tenho curiosidade, mas acho que não teria coragem de… você sabe, chupar… essas coisas.
A frase ficou ali, pairando entre nós, e só então me dei conta de uma coisa. Essas conversas nunca surgiam do nada. Manu era do tipo que bebia e ficava assanhadinha. E, para piorar… eu também.
O silêncio entre nós não era desconfortável, mas carregava uma tensão diferente. Um tipo de expectativa não dita. A música baixa, as luzes amareladas do apartamento e o álcool no sangue tornavam tudo ainda mais… fácil.
E foi ela quem quebrou o silĂŞncio primeiro, com apenas um sorriso torto e um olhar carregado de malĂcia.
— Que cara de piranha é essa, garota? — Perguntei, estreitando os olhos, divertida.
Ela soltou uma risadinha nervosa, desviando o olhar, enquanto eu percebia o rubor subindo pelo seu rosto.
— Nada…
Manu inclinou a cabeça de leve, os olhos escuros me analisando, carregados daquele brilho travesso que sempre aparecia quando ela bebia.
— Tu quer me pegar?
Engoli seco, mordendo o lábio, sem saber se ria ou se respondia com sinceridade.
— Talvez…
Ela riu baixo, chegando um pouco mais perto, o calor do corpo dela começava a ser sentido pelo meu.
— Eu sou casada! Me respeita. — Brinquei, tentando esconder o arrepio que subiu pela minha espinha.
— Eu não te perguntei nada. — Manu rebateu sem tirar os olhos de mim, a voz mais baixa, mais arrastada, carregada de intenção.
Soltei um suspiro trêmulo, sentindo uma mistura de excitação e nervosismo tomar conta de mim.
— Meu Deus, tô nervosa! Ahhhhhhh! — Exclamei, rindo, jogando a cabeça para trás, tentando aliviar a tensão.
E entĂŁo, aconteceu.
As duas héteras entre sorrisos decidiram se experimentar.
O beijo começou hesitante, como se ambas estivĂ©ssemos testando o terreno, sentindo o que dava e o que nĂŁo dava certo. Mas bastou um toque a mais, um deslizar de lĂngua mais ousado, para a coisa pegar fogo.
Meu coração disparou. Minha mente gritava que, se uma de nĂłs nĂŁo gostasse, aquilo ia ser um problema. Mas, no fundo, sabĂamos que qualquer coisa que desse errado poderia ser jogada na conta da bebida.
Nos beijamos.
E não foi um beijo qualquer. Foi quente, molhado, lento, como se eu estivesse explorando um território desconhecido, mas estranhamente familiar. O beijo dela era suave, o toque carinhoso, e naquele momento eu me sentia segura, desejada, envolvida de um jeito que há tempos não me permitia sentir.
Havia paixão naquela entrega. Algo que me remetia à juventude, aos primeiros encontros, àquela sensação de descoberta, de perder o fôlego por algo novo e proibido. E, claro, meu corpo não demorou a responder.
Mesmo estranhando, eu sentia o desejo crescendo em ondas. Meu peito arfava contra o dela, minha pele formigava com cada toque e… minha boceta pulsava, quente, latejante. Eu estava molhada, entregue, sentindo cada centĂmetro do meu corpo despertar sob a provocação dela. Meu controle, aquele que eu jurava manter, escorregava das minhas mĂŁos a cada segundo.
Mas…
Uma coisinha lá no fundo me preocupava.
Eu tinha nojinho de boceta. E era exatamente esse detalhe que, de repente, fez minha mente gritar em alerta no meio daquele torpor delicioso.
Travei.
— O que foi? — Ela perguntou, a voz rouca, os lábios ainda próximos dos meus.
Respirei fundo, sentindo o coração disparado no peito.
— Caralho, eu tô muito excitada…
Manu não respondeu com palavras. Apenas afundou o rosto no meu pescoço, deslizando os lábios quentes pela pele arrepiada, beijando atrás da minha orelha, mordiscando devagar, sabendo exatamente como me fazer perder o fôlego. Sua mão começou a percorrer meu vestido, ainda por cima do pano, os dedos traçando um caminho lento e provocante até os meus seios.
— Pega aqui, porra, se esforça! — Disse ela, pegando minha mão e colocando no próprio peito.
Soltei uma risada, surpresa com a atitude dela, e ao mesmo tempo fascinada. Meus dedos tocaram sua pele quente, sentindo o volume macio por baixo da roupa.
A primeira coisa que percebi foi o quanto os amassos eram diferentes. Mais sutis, mais certeiros. Não era aquela urgência desajeitada que eu estava acostumada, era um jogo de provocações, de toques que sabiam exatamente onde chegar. A mão boba dela encontrava os lugares certos, acendendo cada pedaço de mim com uma precisão que me pegou de surpresa.
Eu estava acesa, incendiada, tomada por uma onda de desejo que crescia rapidamente. Mas o que mais me envolvia era a sensação dos nossos corpos juntos — a maciez, o deslizar suave da pele contra a pele, o jeito como nossos peitos se pressionavam um contra o outro, enviando pequenas centelhas pelo meu corpo inteiro.
E entĂŁo, num surto de coragem, eu me afastei um pouco, sentei-me de frente para ela e disparei:
— Quer fazer isso direito? Vamos tomar um banho? A gente tá mais de doze horas com a mesma calcinha, né?
Manu arregalou os olhos, surpresa, mas logo abriu o sorriso mais largo e travesso que eu já tinha visto. Seus olhos brilharam, e ela, como uma criança animada com uma brincadeira proibida, se levantou de um salto e gritou:
— VAMO!