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1628 palavras
8 minutos
Quase fui pega

Uma traição recém-consumada, um marido desconfiado e um detalhe fatal: o banho. Entre desculpas improvisadas e tensão sufocante, a verdade quase veio à tona.

CapĂ­tulo 4#

Corri pelo apartamento, puxando uma toalha às pressas para me enrolar. Meu coração ainda batia acelerado, a respiração entrecortada pela adrenalina do que tinha acabado de acontecer. O som insistente do telefone ecoava pela sala, interrompendo abruptamente o torpor do prazer. Só ouvimos porque a playlist que tocava havia chegado ao fim, deixando um silêncio denso no ar.

Peguei o celular com as mĂŁos enrugadas ainda tremendo.

Era o JĂşnior.

O choque caiu sobre mim como uma pedra. Meu peito apertou. Ele devia estar preocupado… e ficaria furioso. Minhas pernas vacilaram levemente enquanto eu encarava a tela, a mente rodopiando em pensamentos desencontrados. Meu Deus. Só naquele instante, como um soco no estômago, percebi o que tinha feito.

Eu traĂ­ o meu marido.

Engoli em seco, sentindo o peso daquela constatação me esmagar. Uma onda quente de culpa começou a se espalhar pelo meu corpo, misturada com um resquício de desejo que ainda pulsava na minha pele.

Respirei fundo. Atendi.

— Oi, amor… — minha voz saiu hesitante, como se eu já estivesse condenada.

— Onde você tá? — a voz dele veio cortante, seca, carregada de um tom que eu não gostava de ouvir.

— Eu… desculpa, tô na casa da Manu. A gente ficou conversando, bebendo… esqueci da hora. O celular tava na bolsa.

Um silêncio pesado. Meu coração parou por um segundo.

— Aqui em casa a gente conversa. — A frase veio fria. Definitiva.

A ligação foi encerrada antes que eu pudesse dizer qualquer coisa.

Fiquei ali, parada, segurando o telefone com os dedos dormentes, sentindo uma pontada gelada de medo escorrer pela minha espinha. Manu, que observava tudo enrolada em uma toalha, ergueu uma sobrancelha, ainda enrolada no lençol, e soltou um suspiro baixo.

— Fudeu, né?

Eu sĂł conseguia pensar em uma coisa.

Fudeu. E muito.

Tudo agora acontecia depressa demais. Meu corpo ainda estava quente, mas minha mente fervilhava com a culpa e a urgĂŞncia de apagar qualquer vestĂ­gio do que havia acontecido.

Voltei correndo para o banheiro, catando minhas roupas espalhadas pelo chão, o coração disparado no peito. Foi só quando me encarei no espelho que percebi o verdadeiro problema.

A touca tinha ido embora há muito tempo.

Meu cabelo estava completamente molhado. Molhado!

O pânico subiu pela minha garganta queimando tudo em um refluxo. Se eu chegasse em casa assim, Junior saberia. Mesmo que eu usasse o secador, ele notaria a diferença. Meu marido podia ser um inútil em muitas coisas, mas sempre foi estranhamente atento aos mínimos detalhes – reparava em tudo. Às vezes, eu até brincava que ele era meio gay para essas coisas, porque percebia nuances que a maioria dos homens jamais notaria.

— Merda!

Peguei a toalha e comecei a secar os fios com força, numa tentativa desesperada de disfarçar o óbvio. O secador da Manu era potente, mas não fazia milagres. No fim, prendi tudo no topo da cabeça, torcendo para que ele não notasse nada fora do normal.

Com o celular na mĂŁo, abri o aplicativo e chamei um carro. Agora era encarar o destino.

Junior nĂŁo poderia, de jeito nenhum, nem em sonho, nem em pesadelo, desconfiar do que eu tinha acabado de fazer.

— Se ele perguntar do cabelo molhado, amiga… — Manu começou, mordendo o lábio, pensando rápido. — Fala que tu bebeu demais, que a comida não caiu bem, vomitou e o cabelo bateu na água do vaso. Aí teve que lavar.

Eu arregalei os olhos, absorvendo a ideia absurda por um segundo.

— Meu Deus, Manu… que nojo! — Fiz uma careta, mas logo respirei fundo, ponderando. — Tá bom… Mas ele não vai perguntar não.

— Deus lhe ouça, amiga.

Ela sorriu meio sem graça, e eu retribuí. Me inclinei para um beijo rápido na sua bochecha, tentando ao menos resgatar um pouco da normalidade depois de tudo.

— Beijo.

— Se cuida… e finge que tá enjoada! — Ela piscou, divertida, tentando aliviar minha tensão.

Peguei minha bolsa e saĂ­.

No caminho de volta, cada minuto parecia um teste de resistência. Meu peito apertava, minha respiração oscilava. A cidade passava pela janela do carro, mas eu nem via. Só conseguia pensar em como esconder tudo.

A cada quadra percorrida, eu mandava uma mensagem para ele .

“Tô saindo agora."
"Peguei o carro."
"Já tô chegando.”

NĂŁo era longe, mas aquele ritual besta me ajudava a respirar, como se, de alguma forma, se eu me mantivesse previsĂ­vel, tudo continuasse bem.

Besteira. Nada estava bem.

Já na porta de casa, destrancando a fechadura para entrar no meu apartamento, eu repassei as mentiras que eu ia contar na minha cabeça. Refiz o coque no cabelo, empurrei a porta e entrei.

Ele estava sentado, me esperando. O corpo rígido, os braços cruzados, o olhar carregado de fúria. Meu estômago revirou na mesma hora.

Olhei ao redor. A casa estava como sempre — bagunçada e suja, ele nunca limpava nada. Só ele destoava daquele cenário, um prenúncio de tempestade.

— Amor… desculpa, eu vacilei feio com você. Ficou preocupado? — Tentei manter a voz calma, ensaiando uma normalidade que já não existia.

— Com quem você estava? — A pergunta veio fria, mas carregada de algo que me fez sentir um calafrio na espinha.

Trinquei o maxilar. Eu sabia que precisava medir cada palavra.

— Com a Manu.

Ele riu. Um riso amargo, cruel.

— Já me contaram tudo. Eu não acredito que você foi capaz de fazer isso comigo.

Meu coração disparou. Minha mente, em alerta. Tudo o que aconteceu naquela noite estava guardado a sete chaves. Ninguém sabia. Nem Manu teria como espalhar. Eu não peguei no celular nem por um segundo.

— Te contaram o quê? — Minha voz saiu firme, mas por dentro, eu sentia o gelo derretendo e virando um vulcão prestes a explodir.

Ele me encarou, os olhos brilhando de raiva e algo mais… mágoa.

— Vou perguntar uma vez. Você saiu com aquele seu colega?

Meu sangue gelou.

— Sim, saímos… nós quatro. Fomos ao japonês que você não quis ir porque nunca me acompanha em nada! Depois, fui pra casa da Manu.

— Foi pra Manu… sei. — Ele passou a língua pelos dentes, desviando o olhar.

A tensão no ar era insuportável. Eu sentia que a qualquer momento, algo maior aconteceria.

— Quem te falou isso, Junior? Eu quero saber. — Cruzei os braços, tentando não demonstrar a inquietação que fervia em mim.

Ele bateu com o punho fechado no braço do sofá, um som seco que me fez piscar forte.

— Eu sou um idiota, né? — Sua voz falhou. Não era só raiva. Era dor.

Dei um passo para trás.

— O que você sabe?

Ele riu. Um riso seco, descrente, enquanto passava a mĂŁo pelo rosto como se tentasse se segurar.

— Ah, entendi… agora você joga uma cortina de fumaça! — Ele apontou para mim, os olhos carregados de frustração. — Entendi sua estratégia.

Meu sangue ferveu.

— Que estratégia, seu maluco?! — Dei um passo à frente, sentindo a raiva pulsar dentro de mim. — Você tá me acusando de alguma coisa, mas nem sabe do que!

— Quem te falou isso, Junior? Eu quero saber agora!

Ele me encarou por um instante, os punhos cerrados ao lado do corpo, respirando forte, como se estivesse prestes a explodir.

— Eu tenho meus contatos.

Revirei os olhos, soltando uma risada irĂ´nica.

— Ah, seus contatos? Jura? Desde quando você tem contatos pra qualquer coisa, Junior? Você mal tem um emprego, mal tem disposição pra levantar do sofá, mas agora virou um investigador particular?

A provocação foi certeira. O rosto dele ficou vermelho, o olhar endureceu.

— Eu posso ser muita coisa, mas pelo menos não sou uma mentirosa.

Soltei uma gargalhada amarga.

— Ah, pronto! Você quer brigar por algo que nem sabe se aconteceu. Você tem alguma prova de alguma coisa? Ou só tá surtando porque ouviu fofoca?

Ele hesitou. Por um segundo, um Ăşnico segundo, duvidou de si mesmo. Mas a raiva nĂŁo o deixou recuar.

— Você acha que eu sou burro, né? — Ele balançou a cabeça, rindo sem humor. — Eu posso não ser o cara mais esperto do mundo, mas eu sei quando minha mulher volta pra casa diferente. Eu sei quando tem alguma coisa errada. E eu sei que tem alguém rindo da minha cara agora.

Minha respiração ficou curta. Ele tava certo. Mas pelos motivos errados.

Eu estava errada. Eu sabia disso. A culpa martelava na minha cabeça, me deixando tonta. Mas não ia abaixar a cabeça pra ele. Não agora.

— Se eu voltei diferente, Junior, é porque pela primeira vez em muito tempo eu me divertia. Mas sabe o que é pior? Descobri que posso me divertir sem você por perto, que você não faz diferença.

Os olhos dele se arregalaram por um instante, mas antes que ele pudesse reagir, cruzei os braços e cerrei os dentes. Ele permaneceu ali, de braços cruzados, o olhar carregado de algo que eu não conseguia decifrar completamente. Orgulho ferido, raiva, talvez até desprezo. Mas não disse nada. Eu suspirei fundo. Cansei. Não ia continuar aquela discussão estúpida. Amanhã eu pensaria melhor no que fazer.

Fui para o quarto, tirei as roupas e vesti algo confortável para dormir. Minha cabeça latejava, um misto de culpa, confusão e um cansaço emocional que pesava nos ombros. Deitei na cama e fechei os olhos, tentando ignorar o caos dentro de mim.

Poucos minutos depois, ouvi os passos dele se aproximando.

— Você ficou mais de 20 horas na rua e deitou sem tomar banho? — A voz dele cortou o silêncio do quarto.

Meu coração deu um salto.

Abri os olhos, mas continuei imĂłvel.

— Tomou banho na rua?

Puta merda. Dei mole.

Senti o sangue esquentar, o estômago revirando. Eu não tinha planejado isso, não tinha raciocinado nesse detalhe. Virei de lado, enfiando a cara no travesseiro para não precisar encará-lo.

— Vai dormir na sala, Junior.

O silĂŞncio veio primeiro. Depois, uma risada curta, debochada.

— Claro. É sempre assim, né? Você faz a merda e eu que tenho que me foder.

Revirei os olhos, mas nĂŁo respondi.

Ouvi seus passos pesados se afastando e, em seguida, a porta do quarto batendo com força.

Fechei os olhos de novo, mas sabia que naquela noite eu estava fodida.

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