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1532 palavras
8 minutos
Quando a traição quase vem à tona

Uma traição quase revelada, um marido ressentido e uma melhor amiga pronta para tudo. Entre lágrimas, pizza e verdades mal contadas, o desejo encontrou um novo caminho.

Capítulo 5#

Acordei quase uma da tarde, ainda sentindo o peso da noite anterior no corpo. Da cozinha, vinha o cheiro de comida — ele estava cozinhando. Suspirei. Eu não queria prolongar aquela briga, mas sabia que era inevitável.

Levantei-me, arrumei a cama que ele nunca se dava ao trabalho de organizar e juntei as roupas espalhadas pelo chão — todas dele. No banheiro, lavei o rosto e sentei no vaso, aproveitando meu momento matinal para pensar na vida. A questão era sempre a mesma: eu tinha um casamento infeliz. Amava Junior, sim, mas ele não colaborava em nada. E a acusação de ontem ainda martelava na minha cabeça.

Eu sabia que estava errada, não era louca, mas também não tinha transado com Fernando. O que mais me doía não era a discussão, e sim o fato de que, ao invés de me defender, ele preferiu acreditar no que disseram. Nunca dei motivos para desconfianças, nunca fiz nada para que duvidassem de mim… até ontem.

Depois de escovar os dentes e tomar outro banho, fui para a sala pegar meu celular e ver as últimas notificações. Assim que abri a bolsa, senti algo estranho — meu celular não estava no bolso interno, onde sempre o deixava. Franzi a testa. Junior deve ter mexido. Isso não era novidade entre nós, ele sabia minhas senhas e nunca fez cerimônia para bisbilhotar.

Peguei o aparelho e, ao desbloqueá-lo, vi uma mensagem de Manu:

“Chegou bem em casa? Fiquei preocupada, você bebeu demais.”

Suspirei. Conhecendo Manu, aquilo era uma artimanha para eu usar como defesa, uma forma de reforçar que eu não fiz nada de mais. E, pelo visto, funcionou. Junior provavelmente viu a mensagem enquanto eu dormia. Mais um ponto negativo para ele.

Parei na porta da cozinha e fiquei observando enquanto ele cozinhava — a única coisa que fazia dentro de casa. Ele percebeu minha presença, mas preferiu fingir que não viu.

Sem dizer nada, voltei para o quarto, peguei o cesto de roupas sujas e passei por ele novamente, carregando o peso de todas as roupas acumuladas, esperando que ele notasse o óbvio: eu estava fazendo as tarefas que ele ignorava.

Ele olhou de relance, mas continuou mexendo na panela, como se nada fosse com ele.

— Vou fazer suas tarefas para te ajudar, tá, meu amor? — soltei, carregada de ironia.

Nenhuma resposta. Ele simplesmente continuou cozinhando, como se minhas palavras tivessem sido jogadas no vazio.

Eu joguei cada peça de roupa na máquina como se estivesse socando a cara dele. Minha respiração ficou pesada, os olhos ardiam, e antes que percebesse, lágrimas de pura raiva escorriam pelo meu rosto. Por que minha vida era tão desgraçada? Por que, quando tudo começava a dar certo, o que era certo desmoronava?

Não era sobre dinheiro. Nunca foi.

Minhas pernas tremiam, e uma vontade absurda de gritar, quebrar tudo, matar alguém, tomava conta do meu corpo. Eu tentava engolir aquilo, conter a explosão, mas então ouvi a voz dele, fria, casual, como se nada daquilo fosse grande coisa.

— Viu como você é? Você faz a merda, e é você que fica puta e descontrolada. No fim, é sempre sobre você, né? Nunca percebe o quanto é egoísta?

As palavras caíram como uma bomba, estourando dentro de mim antes que eu pudesse reagir.

— E antes que comece — ele continuou, sem nem me dar tempo de respirar —, já sei qual vai ser o seu próximo ato. Vai dizer que paga tudo, que eu sou um inútil e que não te ajudo em nada. Eu já sei como você é. Eu te conheço.

Eu tinha as palavras certas. Eu sabia exatamente o que deveria dizer. Mas nada saiu. Fiquei ali, parada, encarando aquele rosto calmo, aquela expressão indiferente, como se ele estivesse apenas apontando o óbvio.

E então, ele selou tudo.

— Se você se sente bem transando com outras pessoas, pode ir de boa. Só faz o favor de esconder bem, pra ninguém me apontar na rua como corno.

O silêncio que veio depois foi ensurdecedor.

Chinelo, carteira, celular. Foi a única coisa que pensei. Se eu ficasse ali mais um segundo, desmoronaria. Passei por ele sem olhar, sem dizer nada. Peguei o que precisava e saí pela porta como se o mundo não existisse mais.

Estava com minhas roupas de ficar em casa: um short largo de flanela e uma blusa que cobria tudo, minha roupa de dormir. Sem sutiã, sem calcinha. Cabelo desgrenhado, rosto quente de raiva e humilhação. Caminhei pela rua como uma maluca, o coração martelando no peito, os olhos ardendo. Chamei um Uber sem pensar. Apertei qualquer opção na tela, sem nem saber para onde queria ir. Manu foi minha última corrida, então foi para lá que eu fui. Afinal, para quem não sabe para onde quer ir, qualquer lugar serve.

O motorista me olhava pelo retrovisor, atento.

— Moça, você tá bem? Precisa de alguma coisa? Quer ir pra polícia? Pro hospital?

Sorri fraco, sem vida.

— Não, moço… Só um dia ruim.

Ele não pareceu convencido, mas não insistiu.

Quando cheguei no prédio da Manu, pedi para o porteiro anunciá-la. Meu peito subia e descia rápido, a cabeça girava. Alguns minutos depois, subi.

Ela abriu a porta e arregalou os olhos ao me ver.

— Meu Deus! Ele te bateu?

Eu desmoronei.

No colo de Manu, desabei. Chorava sem conseguir respirar direito, o peito apertado, a cabeça girando. Eu tentava explicar entre soluços, mas a verdade é que mal sabia do que dizia. Em algum momento, o ataque de ansiedade me dominou por completo, e tudo ficou embaralhado.

Ela me abraçou, firme, e depois de um tempo apenas disse:

— Toma esse remédio e vai pra cama. Descansa. Eu resolvo.

Manu era uma solucionadora de problemas. E foi exatamente o que fez. Me ouviu, me acalmou, me deu um calmante.

Acordei à noite, zonza. A luz do quarto estava baixa, e o cheiro de pizza se espalhava pelo ar.

— Chefa, levanta, pedi pizza.

Me forcei a sentar. Peguei o celular e vi mais de vinte notificações. Suspirei fundo e entreguei o aparelho para Manu. Ela bateu o olho e entendeu na hora — fazia isso o tempo todo no trabalho.

— Tirando seu pai, que tá surtando porque você sumiu, o resto é tudo ele querendo saber de você. Quer que eu ligue?

— Melhor avisar… Eu não sou irresponsável que nem ele.

Ela não hesitou, já tocando a ligação.

— Junior? Tudo bem, amado?

— Sim… Manu?

— Sim, exaltado! Olha, só liguei pra avisar que a chefe vai ficar aqui em casa, tá bom?

Do outro lado, ele bufou.

— Deixa eu falar com ela…

— Então, vocês não poderão estar se falando nesse momento. Mas assim que possível, ela retorna, tá ok?

— Sério, Manu? Vai meter o telemarketing agora?

— Desculpa o inconveniente, lindo.

Houve um silêncio, e então ele soltou, com aquela voz carregada de ressentimento:

— Você já sabe que ela me traiu ontem com o Fernando, né?

Manu riu. Simplesmente riu, um som baixo e divertido, como se ele tivesse contado a piada mais ridícula do mundo.

— Então, coração… Você deu uma bola fora daquelas ontem. O Fernando estava com a Carla. Lembra da Carla? Pois é. Quem te fez essa fofoca errou feio em tudo, coração. Eu, sinceramente, não queria estar na sua pele agora.

Silêncio.

— Sinto muito, tá bem?

E desligou.

A insolência daquela criatura me fez rir. Manu tinha um jeito de lidar com as coisas que tornava tudo mais leve, e naquele momento, aquilo me deu um ânimo absurdo. Levantei, lembrando que estava morrendo de fome, e fomos para a mesa.

Comemos a pizza entre risadas, repetindo o jeito que ela falou com Junior, imitando sua voz dramática e debochada. Mas então, em um momento de silêncio, ela ficou pensativa, girando a borda do copo entre os dedos.

— Amiga, quem foi o filho da puta que falou pra ele que te viu saindo com o Fernando?

Fiz uma careta, ainda mastigando.

— Não sei. Não faço ideia.

— Será que não foi o Fernando pra te foder no trabalho? É a cara dele…

Balancei a cabeça.

— Ele odeia o Fernando, não acho que ele ia chegar falando com o Junior: “Ei, tô comendo sua mulher.”

— Só tem a Clara e eu. Eu não fui… sobra a Clara.

— Cara, pode ter sido qualquer um que viu a gente saindo.

Manu me encarou séria, cruzando os braços.

— Mas, amiga… isso foi muito maldoso. Você tem que descobrir quem foi.

Suspirei, massageando as têmporas.

— O Fernando tem um milhão de maneiras de me prejudicar no trabalho se quisesse. Ele é mais sutil que isso, ele é inteligente. E, sinceramente, isso não mudaria nada no lado profissional, não faz sentido ser ele. A mesma coisa pra Clara.

— Mas…

Olhei de soslaio. Eu sabia que vinha bomba.

— Mas o quê, garota?

Ela riu maliciosamente, os olhos brilhando com diversão.

— Mas você traiu.

Bufei, jogando um pedaço de pizza nela.

— Cala a boca! Com mulher não conta.

— Fala isso pra ele.

Cruzei os braços, rindo de nervoso.

— Se eu contar, ele muda imediatamente. O sonho dele é uma ménage.

Manu arregalou os olhos e ergueu as mãos como quem já quer pular fora.

— É, amiga, mas dessa eu tô fora.

Sorri, sacana.

— Cala a boca. Até ontem, você “tava fora” de mulher também.

Ela me olhou por um instante e, então, riu.

— Verdade!

Nos encaramos por um segundo, e então soltei, de forma quase despretensiosa:

— Mas nada contra se a gente continuar… só falando…

O silêncio que veio depois dizia muita coisa.

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