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Uma noite de bebidas e provocações vira um jogo perigoso de sedução, onde um beijo puxa o outro e o desejo explode entre risos e toques.
CapĂtulo 8
A sexta-feira foi um festival de risadas e empolgação forçada. Manu estava animada demais com o plano da noite, falando sobre os caras como se fossem prĂŞmios de loteria. Mas eu conhecia Manu. Ela nĂŁo estava vendendo os caras. Ela estava vendendo a ideia de que eu precisava seguir em frente o mais rápido possĂvel.
Eu ria, entrava na brincadeira, fingia animação. Mas, no fundo, não estava nem perto de sentir o mesmo entusiasmo dela. Para mim, era só mais uma sexta-feira, só mais uma tentativa de me convencer de que a vida realmente estava mudando.
Depois do expediente, passei em casa para tomar banho e me arrumar antes de encontrar Manu. Já sabia que Junior viria falar comigo. Premeditei cada possĂvel interação, me preparei mentalmente para lidar com o desconforto.
E nĂŁo demorou muito.
— Você vai sair com alguém hoje? — Ele perguntou, encostado na porta do quarto, os braços cruzados.
— Sim. Você acha que eu vou ficar no bar sozinha bebendo?
— Quem vai?
— Junior, eu não devo mais satisfações para você. Você sabe que eu vou sair com a Manu.
— Vocês vão encontrar aqueles caras?
Soltei um suspiro, ajeitando a toalha no corpo.
— Sim, Junior.
Ele ficou em silĂŞncio por um momento, observando meus movimentos.
— Você pretende ficar com ele?
— Não sei, Junior. Mas, se você quiser sair e pegar uma garota qualquer, fique à vontade. Eu não me importo.
Mentira.
Eu ainda tinha ciĂşmes.
Era ridĂculo, eu sabia. Mas uma parte de mim ainda esperava uma reação dele, qualquer reação que mostrasse que, no fundo, ele ainda se importava. Eu brigava com ele, provocava, cutucava, esperando que ele saĂsse da passividade. Mas ele nunca reagia.
— E vocês vão transar?
Revirei os olhos, soltando uma risada sem humor.
— Junior, sério? Eu só vou conhecer pessoas. A gente não tem mais nada.
Ele respirou fundo e desviou o olhar. Parecia engolir algo que queria dizer. EntĂŁo, voltou a me encarar.
— Posso te pedir uma última coisa? Só uma. E eu não te peço mais nada.
Havia algo na voz dele que me fez parar.
Cruzei os braços, sem paciência.
— O que, Junior?
Ele hesitou, como se procurasse as palavras certas.
— Me deixa saber se você ficar com alguém?
Soltei uma risada incrédula.
— Pra quê, Junior? Pra se torturar?
Ele ficou quieto. E, pela primeira vez em muito tempo, nĂŁo soube o que responder.
— eu quero saber, preciso ter certeza, tortura vai ser eu não saber.
— tá bem eu conto tá? Agora deixa eu terminar de me arrumar? Sai e fecha a porta por favor e não etra aqui.
Antes de cruzar a porta ele falou
— eu gosto da ideia de vc estar com pessoas. Vc fica feliz.
Eu não entendi o que ele quis dizer e achei na hora que nà o tinha ouvido direito, eu estava atrasada então tratei de me maquiar e caçar o que vestir e uqando pronta peguei um uber e fui encontrar com eles no bar que ela escolheu. Quando eu cheguei os 3 estavam lá e quando eu bati os meus olhos no cara eu vi que não ia rolar, o cara era um babaca, chato, parecia não gostar de mulheres.
Tudo que eu falava, ele tinha uma história para se mostrar superior. Se eu comentava algo, ele puxava uma conversa sobre como já tinha feito melhor, como ganhava dinheiro, sobre os carros e as casas que teve, e as vezes que quebrou e, sem ajuda de ninguém, conseguiu se reerguer. O discurso do macho alfa cansado.
Na primeira hora de conversa, eu já estava entediada. Manu e o parceiro dela também perceberam, e o clima na mesa foi murchando, ficando pesado, desconfortável. Só o imbecil na minha frente não percebia que ninguém mais estava interessado.
E então, em um momento de silêncio, ele soltou a pérola, sem vergonha nenhuma, na frente de todo mundo.
— Boneca, quer que eu te mostre meu carro?
Levantei o olhar, já exausta.
— Seu carro? Pra quê? Você vai embora?
— Não, pô. É um Mustang, carro foda.
Como se isso fosse mudar alguma coisa.
— Não, obrigada. Tô de boa.
Mas ele insistiu:
— A gente pode ficar lá um pouco, relaxando.
— Eu tô relaxada aqui, obrigada.
— Mas aà eu te levo pra casa depois, se quiser.
— Não, eu vou de Uber. E você bebeu, não vou de carro com quem bebeu.
Foi aĂ que ele realmente se ofendeu.
Ficou meia hora tagarelando sobre como era experiente em beber e dirigir, que a lei era idiota, que eu tava ofendendo a honra dele, que isso, que aquilo… eu já tinha desligado completamente.
Pra me salvar, Manu ergueu o braço e chamou o garçom.
— Guerreiro, a conta, por favor.
Agradeci mentalmente. Quando a conta chegou, peguei meu cartĂŁo e coloquei na mesa sem falar nada. Sempre paguei pelo meu consumo, nĂŁo ia ser diferente dessa vez. Mas aĂ, como se o clima já nĂŁo estivesse insuportável o suficiente, o cara começou a falar sobre feminismo de um jeito tĂŁo patĂ©tico que atĂ© o amigo dele parecia estar constrangido.
Foi quando Manu me olhou e jogou a cartada final:
— Amiga, seu marido vem te buscar?
Eu entendi na hora.
— Já deve estar vindo. Vamos ali fora esperar ele?
Nos levantamos sem hesitar, deixando os dois na mesa. Assim que saĂmos do restaurante, soltei um suspiro pesado.
— Caralho, desculpa. Eu não imaginei que ele era tão mala.
— Porra, sério, Manu… Tava quase mandando ele tomar no cu.
Ela riu, passando o braço pelo meu ombro.
— Tá vendo? Eu sou um anjo na sua vida.
— Um anjo que me chupa.
— Verdade. Mas hoje é dia de rola.
— Vai dar pra ele?
— Tô querendo. Ele é bonito, né?
— Sim, ele é lindo. Mas eu não consegui conversar com ele porque o deus grego ao lado não parava de se exibir.
Ficamos ali, rindo e combinando os planos. Manu ia com o cara para a casa dela, e eu ia embora sozinha. Era simples. Mas, antes que a noite terminasse de vez, os dois rapazes saĂram do restaurante.
O chato passou reto por nós, sem dizer nada, claramente puto. Já o cara da Manu veio direto até nós, segurando meu cartão e estendendo na minha direção.
— A próxima você paga. Eu não ia querer discutir isso com ele, dividimos por dois, desculpa.
Peguei o cartĂŁo e dei um sorriso cansado.
— Ah, obrigada. Ele é muito chato.
— Muito. Me desculpem vocês duas, eu achei que ele conseguiria se controlar. É mala, mas é amigo, né…
Manu deu de ombros, minimizando.
— Relaxa, acontece.
EntĂŁo, ele olhou para mim e soltou:
— Eu não sei se o papo do Uber era verdade, mas a gente pode te deixar em casa!
— Pode ser… — murmurei. — Mas tá tão cedo…
O cara da Manu sorriu de lado.
— Verdade. Manu, a gente podia esticar e beber em algum canto, tá cedo ainda.
Olhei para Manu e vi que aquilo bagunçaria os planos dela. Já estava tudo certo entre eles, e eu ali no meio só ia atrapalhar.
— Não sei… Acho melhor eu ir embora. — falei constrangida.
Manu pareceu tranquila com a ideia. Mas, antes que eu realmente desistisse, ela inclinou a cabeça e jogou a cartada final:
— Amiga, confia. Vamos lá pra casa, a gente fica bebendo e vendo clipes, só nós três… Vamos!
Hesitei.
— Tem certeza? Eu não quero segurar vela.
Ela sorriu, sacana.
— Amiga, se você for pra casa às dez horas da noite, o Junior vai ficar feliz da sua noite ter sido uma merda.
Ela tinha um ponto. E aquele argumento me fez aceitar na hora.
— Porra, bora então.
Passamos no depĂłsito de bebidas e compramos mais garrafas do que conseguĂamos carregar. A ideia era simples: beber atĂ© esquecer, ou pelo menos atĂ© a realidade parecer mais divertida. Chegamos na casa da Manu, ligamos a mĂşsica alta e começamos a virar os copos sem muita cerimĂ´nia. O álcool bateu rápido, e em poucos minutos eu já estava contando minha vida inteira para o desconhecido, como uma bĂŞbada amargurada despejando seus infortĂşnios num balcĂŁo de bar.
— Aà eu peguei a Manu. — soltei, já rindo, sem me importar com a consequência daquilo.
O cara arregalou os olhos na hora, mais animado do que deveria.
— Pegou mesmo? A gente se pega forte, quer ver?
— Quero! — Ele respondeu sem pensar duas vezes, tão empolgado que parecia uma criança na frente do presente de Natal.
Manu nem hesitou. Me puxou pelo pescoço e me deu um beijo torto, bagunçado, enfiando as mãos na minha bunda e apertando meus peitos sem um pingo de vergonha. Rimos no meio do beijo, porque, no fundo, a gente sabia que estava só brincando, se aproveitando da situação para se divertir. Quando nos afastamos, o cara parecia ter visto um milagre acontecer na frente dele, os olhos brilhando, a expressão de quem tinha acabado de descobrir que Papai Noel existia.
— Poxa, Manu, eu achei que você ia ficar comigo e agora decubro que você tem namorada?
Ela deslizou até meu lado, apoiando o queixo no meu ombro, com aquele olhar de pura maldade.
— Ah, meu bem, não fica com ciúmes. Você tinha uma garantida, e agora pode escolher. Quem você quer? Ela ou eu?
Nos entreolhamos, e sem precisar combinar nada, começamos a fazer poses provocantes, jogando o cabelo, mordendo os lábios, provocando ele como duas dançarinas de boate disputando gorjeta. Mas deixa eu explicar o que passava na nossa cabeça naquele momento. A ideia inicial era simples: Manu ia sair com ele, a gente ia beber, ela ia dar uns beijos no cara, eu iria embora e ela ia dar para ele pelo resto da noite. Mas a gente começou a chapar, o fogo na buceta subiu, e tudo virou uma grande provocação. Em nenhum momento combinamos de dar pra ele, sĂł querĂamos ver atĂ© onde ele aguentava sem surtar.
— Não façam isso comigo… Eu quero as duas!
Revirei os olhos, segurando o riso.
— As duas não pode.
— Tá, mas eu preciso de mais informações pra escolher direito.
— Justo. — Manu riu, inclinando a cabeça e já avançando. — Vou te dar uma amostra grátis.
Ela pulou no colo dele e enfiou a lĂngua na boca do cara como se fosse sugar a alma dele pra fora do corpo. Ele agarrou sua cintura com força, segurando-a como se ela fosse escapar. Quando ela se afastou, ofegante e com um sorriso de quem sabia que tinha feito um bom trabalho, me olhou com um brilho desafiador nos olhos.
Era um “E agora?”.
Meu coração deu um salto, mas não recuei. Me aproximei dele e o puxei para um beijo, começando devagar, deixando ele sentir o gosto do álcool misturado ao meu hálito quente. Diferente do de Manu, o meu foi mais provocante, arrastado, fazendo questão de prolongar cada movimento. No meio disso, senti um toque suave no meu rosto, dedos deslizando pelo meu cabelo, colocando os fios atrás da minha orelha. Manu.
Quando me afastei do cara, nĂŁo voltei para o meu lugar. Manu já estava ali, os lábios a centĂmetros dos meus, os olhos escuros presos em mim antes que nossas bocas se encontrassem novamente. E foi assim que o beijo triplo aconteceu. Desajeitado, quente, sem muita coordenação, mas com tanta vontade que me fez sentir meu sexo latejar. O toque dos lábios, a respiração misturada, as mĂŁos que nĂŁo sabiam onde parar… tudo me deixou numa excitação que eu nĂŁo esperava sentir.