Capítulo 2
Fui direto para o quarto, fechei a porta e abri o laptop. Meus dedos tremiam um pouco quando digitei os dados que Juliette tinha me passado. O site carregou, e lá estava o vídeo da live dela, com o horário marcado no canto.
Respirei fundo antes de dar play.
A tela acendeu, e a primeira coisa que vi foi minha irmã. Juliette estava sentada no sofá da minha sala, usando um top e uma calcinha preta. O sorriso dela era provocante, os olhos brilhando com aquela energia caótica que só ela tinha.
“Oi, amores… tão prontos pra hoje?”
Minha nuca arrepiou.
Minha mente estava em conflito. Ver minha irmã assim, para uma plateia desconhecida, era estranho. Muito estranho. Mas, ao mesmo tempo, não conseguia desviar os olhos.
Tem uma coisa sobre mim que eu preciso contar. Não estou dizendo que eu tenho tesão na minha irmã, isso seria absurdo. Mas eu gosto de ver meu próprio corpo, me excito com isso, e o fato de Juliette ser idêntica a mim bagunçava tudo dentro da minha cabeça. Era um tipo de confusão que eu nunca tinha conseguido explicar, uma luta mental que sempre travava quando via ela sem roupa. E não, eu não gosto de mulher. Nem um pouco.
Mas ali, no vídeo, Juliette sabia exatamente o que estava fazendo. A forma como mexia no cabelo, como mordia o lábio, como olhava para a câmera… era como se estivesse seduzindo alguém pessoalmente. Os comentários subiam rápido, cheios de elogios, pedidos, desejos escancarados.
Pensei: Caramba, quanta gente elogiando ela… podia ser eu. Mas eu nunca que levaria jeito pra isso.
E então, no momento em que ela puxou o top para cima e mostrou os seios, senti algo estranho. Minha moralidade não foi a única coisa que escorregou naquele momento.
Nossos peitos eram idênticos. Os dela talvez um pouco menores, mas nada que mudasse o tamanho do sutiã – tanto que dividíamos os mesmos. A única coisa que tentávamos não compartilhar era a calcinha, mas ela usava as minhas, o que me deixava puta da vida.
Foi quando a pergunta surgiu na minha cabeça, me atingindo como um choque:
— Por que a ideia de me ver fazendo isso me deixa excitada?
Eu sentia algo crescendo dentro de mim. Algo que eu não queria encarar. Não era minha irmã ali… era como se fosse eu. E mais do que isso, fiquei encantada com a forma como aqueles caras a desejavam. Como me desejavam, sem saber.
Eu gostava do assédio.
Eu e Juliette éramos bonitas, mas sem sorte para namorado. Tudo bem que éramos exigentes e os caras, na maioria, eram babacas. Mas mesmo assim… Ver aqueles homens querendo tanto aquilo que, por coincidência, também era meu corpo, me fez sentir algo que eu nunca tinha sentido antes.
Eu ainda estava hipnotizada pela tela quando a campainha tocou. O som me trouxe de volta à realidade, e pausei o vídeo rapidamente, sentindo meu coração acelerar.
Levantei e fui até a porta do quarto, espiando pela fresta.
— Quem é, Juju?
Juliette respondeu do sofá, sem tirar os olhos do celular.
— É a camgirl!
Minha expressão se contorceu em surpresa.
— A camgirl?!
Ela riu.
— Sim, a Patricia. Não destrata ela, tá?
— Claro que não… — murmurei, ainda tentando entender o que estava acontecendo. — Mas o que ela veio fazer aqui?
Juliette revirou os olhos, impaciente.
— Deixa eu abrir a porta? Ela veio falar do negócio da câmera comigo.
Eu cruzei os braços, hesitante.
— Negócio da câmera… Juju, eu posso ouvir?
Ela bufou
— Ai, Ju, relaxa. Se quiser vir pode, só não seja você!
Juliette correu até a porta, enquanto eu permaneci ali, braços cruzados, apenas observando.
A garota que entrou era bonita. Muito bonita. Uma branquinha de cabelos pretos, toda tatuada nos braços, do tipo que chamava atenção onde quer que passasse. Ela entrou falando alto, cheia de energia, já elogiando minha irmã pelo dinheiro rápido que tinha feito.
A conversa fluiu de forma leve. Patricia era desinibida, parecia bem resolvida com o que fazia. Ela começou a explicar como tudo funcionava, como se estivesse dando uma consultoria profissional.
Segundo ela, câmeras não eram onde estava o grande dinheiro, mas era um pagamento imediato. Já o OnlyFans, se bem trabalhado e, principalmente, feito em inglês, era onde a grana preta entrava. Cobrar em dólares fazia toda a diferença.
— O esquema é listar as coisas que tu topa fazer e colocar o preço — ela explicou, sentando-se confortavelmente no sofá.
— Tipo o quê? — perguntei, mesmo já sabendo que ia me arrepender da resposta.
— Basicamente, o mínimo que pagam é pra ver uma siririca bem feita, com vibrador e tudo, em sessões privadas. Ou então só conversar. Tem cara que paga só pra contar a vida, acredita?
Antes que eu pudesse pensar, as palavras escaparam da minha boca:
— Isso eu faria.
Um silêncio breve. E então, risadas.
— Por esse dinheiro, estaria ganhando mais que psicóloga sem diploma.
As risadas aumentaram. Patricia balançou a cabeça, achando graça.
— Mas olha, vocês podem se revezar ou fazerem juntas. Se revezarem, já dobram o valor. Agora… se fizerem juntas, estão ricas.
Minha garganta secou.
— Como assim, juntas?
Meu coração disparou.
— Cês tão é malucas! Eu jamais faria isso.
Juliette riu, balançando a cabeça como se já soubesse que eu ia reagir assim. Mas Patricia apenas cruzou as pernas e deu um sorriso de canto, como se estivesse prestes a soltar a verdadeira bomba.
— Ricas quanto, Patricia? — Juliette perguntou, os olhos brilhando de curiosidade.
Patricia deu de ombros, jogando o cabelo para trás.
— Sei lá… entre 50 e 100 mil.
Minha irmã arregalou os olhos.
— 100 mil reais por mês?
Patricia soltou uma gargalhada e negou com a cabeça.
— Dólares.
O quarto ficou em silêncio. Um arrepio percorreu minha espinha enquanto eu ainda tentava processar aquele número absurdo.
— Cem mil dólares por mês? — Soltei, quase sem pensar. — Eu lamberia seu cu, Juliette.
Ela soltou uma gargalhada.
— Né?
Patricia riu junto, mas logo ergueu a mão num gesto de aviso.
— Mas calma, chegar lá não é tão simples. Não é assim de cara, não se iludam. Dá trabalho, precisa construir público, fidelizar clientes.
Ela puxou a bolsa que tinha trazido e a abriu, começando a tirar um monte de coisas que me deixaram boquiaberta.
Eram artigos de sex shop.
Brinquedos variados, alguns bem exóticos. Tinha um vibrador em formato de tentáculo, outro que podia ser controlado remotamente cada vez que alguém fizesse uma doação, e até um lubrificante.
Meus olhos pararam nesse último.
— Lubrificante? — Perguntei, arqueando uma sobrancelha.
Patricia sorriu, como quem já sabia o que eu ia dizer.
— Flor, ficar quatro horas se esfregando todo dia não há periquita que aguente.
Juliette pegou um dos brinquedos e girou entre os dedos, analisando com interesse.
Eu, por outro lado, sentia que minha cabeça ia explodir. Eu estava ali, ouvindo tudo isso, e, de alguma forma, parte de mim estava curiosa. Muito curiosa.