Gêmeas idênticas, desejos distintos. Quando a curiosidade vira performance, Justine descobre que o prazer pode vir de onde menos se espera.
Capítulo 3
Patricia tinha oferecido mais do que conhecimento sobre o mercado pra Juju. Ela tinha colocado na mesa uma proposta que eu jamais esperava ouvir: nós duas, eu e minha irmã, juntas na câmera. Claro que a ideia era absurda. Nenhuma de nós curtia mulher, e éramos irmãs, e embora às vezes brincássemos com beijos só pra provocar os outros, não passava disso.
Patricia percebeu o desconforto estampado na cara da Juju e sorriu, tentando amenizar:
— Querida, você precisa entender que somos, de certa forma, atrizes!
Juliette mordeu o lábio, hesitante. Eu conseguia ver que ela estava tentada pelo dinheiro, mas havia limites até para ela!
— Não sei não, Patricia… Preciso criar coragem primeiro. Acho melhor começar solo. Depois, se der certo, talvez contrato um cara pra fazer uns vídeos comigo.
Eu fiquei estarrecida e falei mais alto do que deveria.
— Peraí, você pretende gravar com um cara te comendo?
Juju deu de ombros, como se não fosse nada demais.
— Ué, talvez sim, se eu tiver vontade. Sei lá. Solo primeiro, depois eu penso nisso.
Patricia começou a se levantar do sofá, mexendo nos cabelos como se estivesse atrasada.
— Tá, pensa aí. Agora preciso ir mesmo, tenho live hoje e já era pra eu estar arrumada.
Juju acompanhou ela até a porta, sorrindo.
— Valeu, amiga!
Patricia parou na entrada e se virou uma última vez falando comigo, séria.
— E você, Ju, pensa bem. Dá pra ganhar um dinheiro bom.
Um dinheiro muito bom.
Eu fiquei quieta enquanto Juju fechava a porta atrás de Patricia. Meu silêncio não enganava ninguém; minha irmã sabia muito bem que eu estava cheia de coisas pra dizer. Ela conhecia cada expressão minha, cada respiro mais profundo. E agora me olhava com aquela cara de quem já esperava o sermão que viria.
— Fala logo, garota — disse ela, revirando os olhos com impaciência.
Eu me aproximei, mexendo distraidamente nas coisas que Patricia tinha deixado sobre a mesa. Eram vibradores e lubrificantes, acessórios exóticos que eu sequer imaginava existirem.
— Irmã, eu acho que tem coisa que você não tá considerando. O dinheiro é ótimo, maravilhoso, mas e o resto? Você já pensou no depois?
Juliette soltou um suspiro irritado.
— Ai, lá vem você. Que depois, Ju?
— Porra, Juju. O dinheiro é ótimo, claro que é. Mas e a exposição? Já esqueceu que você tem uma irmã gêmea? Se vazar alguma coisa, não é só você que se ferra.
Ela deu de ombros, voltando a guardar as coisas que Patricia havia deixado sobre a mesa.
— Quem vai vazar alguma coisa? Deixa de ser paranoica. E outra: eu não nasci colada com você não, querida. Não vou deixar de fazer minhas coisas só porque tenho uma irmã igualzinha a mim.
Cruzei os braços, encarando-a com seriedade.
— Mas é exatamente esse o problema, Juju! Você faz as coisas sem pensar nas consequências, sem pensar em mim. O que vai acontecer se nossa família descobrir? Se vazar isso na internet?
Ela pareceu se acalmar um pouco, percebendo o peso das minhas palavras. Respirou fundo e então me encarou com sinceridade.
— Tá bom, Ju. Faz o seguinte: eu tento essa semana, só pra ver o que vai dar. Se rolar bem, e eu sentir que tem futuro, eu continuo. Se não der certo, eu paro. Pode ser assim?
Suspirei, relaxando um pouco os ombros. Pelo menos ela tinha parado para pensar por um segundo.
— Tá bom… menos pior assim. Só promete que não vai fazer nenhuma loucura sem conversar comigo primeiro, pode ser?
Juju riu, levantando as mãos como quem se rendia.
— Tá bom, mãe. Prometo.
Sabia que aquela promessa não valia muita coisa, mas pelo menos ela parecia ter escutado dessa vez.
A noite chegou rápido, e minha irmã já estava na sala preparando tudo para fazer a live. Eu tentei assistir, mas sempre que passava por perto, Juliette me enxotava com um olhar irritado. Claro, ela estava lá, toda aberta e se tocando na frente da câmera, e não ia querer sua irmã bisbilhotando aquilo. Sem alternativa, peguei meu celular e entrei no site. Fiquei olhando aquela tela cheia de meninas, algumas sorridentes, outras provocantes. Meu coração bateu forte quando vi o nome da Juju aparecendo como online. Cliquei, mas claro, era privado e precisava pagar pra entrar. Suspirei frustrada. Eu não tinha dinheiro sobrando pra isso, e também não queria pagar pra ver minha irmã se masturbando.
Não me entenda errado, não sou pervertida nem nada. É só que a curiosidade estava me matando. Aquela situação toda era tão surreal que eu precisava ver com meus próprios olhos. No fundo, eu queria entender melhor aquele fascínio. Entender por que aquelas pessoas pagavam por isso. Entender como a minha irmã, tão parecida comigo, conseguia ter coragem pra algo tão íntimo. Mas claro que eu não pagaria pra isso. Nem tinha dinheiro, nem teria coragem. Continuei encarando a tela, roendo as unhas de ansiedade e, secretamente, desejando que alguém pagasse aquilo por mim, só pra eu descobrir como era.
Então, eu ouvi um barulho na cozinha e saí correndo pra lá, fingindo não estar bisbilhotando nada. Era a Juju, que tinha ido pegar alguma coisa. Ela tomou um susto ao me ver chegando ali, mas não parecia surpresa.
— Eita, que susto, Ju! — disse ela, colocando um copo na pia.
Eu me aproximei, um pouco sem graça.
— Irmã, posso ver a sua transmissão? Só um pouquinho…
Juliette fez uma careta, incomodada.
— Claro que não, sua esquisita! Já morro de vergonha fazendo aquilo, imagina se você ficar olhando?
— Juju, eu já te vi pelada, já te vi transando, qual é o drama agora?
E era verdade. Nosso apartamento era pequeno demais pra ter segredos assim.
Ela bufou, cruzando os braços.
— É diferente, Ju. Não inventa moda!
Engoli em seco e decidi fazer algo que não gostava: mentir.
— Olha, eu tô pensando em fazer isso também. Eu preciso aprender como é, Juju. É só pra eu ver se consigo, sabe?
Juliette arqueou uma sobrancelha, desconfiada.
— Ju, você sabe que eu percebo quando você tá mentindo, né?
Suspirei, me rendendo.
— Sei…
— A curiosidade é tanta assim?
Fiz um bico, implorando.
— Por favor! Só uma vez, prometo.
Ela me encarou por alguns segundos, revirando os olhos antes de finalmente ceder.
— Tá bom, sua chata. Mas se eu fechar a sala com convidado, você sai na hora, ouviu bem?
— Tá bom! — respondi baixinho, sentindo uma pontinha de ansiedade.
— E não fica rindo, hein! — avisou ela, me lançando um olhar sério antes de voltar para a sala.
Ela retornou pro sofá e ajeitou rapidamente o computador, entrando no ar outra vez. Eu sentei no chão frio do corredor, na penumbra, tentando ficar o mais invisível possível. Me sentia ridícula, mas ao mesmo tempo curiosa demais pra voltar atrás agora.
Juju logo esqueceu que eu estava ali. A conversa rolava solta, cheia de brincadeiras, insinuações, histórias exageradas e mentirosas sobre as loucuras dela. Minha irmã nunca foi santa, mas eu sabia bem o que era verdade e o que era invenção pura pra agradar aquela plateia invisível. De repente, ela deu uma risada alta com alguma coisa que tinham dito, e respondeu com algo ainda mais absurdo. E foi aí que, sem aviso nenhum, minha irmã puxou o top pra cima e deixou os seios à mostra, as tetas rosadas claramente visíveis pra qualquer um que estivesse assistindo.
Eu arregalei os olhos e levei a mão à boca na hora, abafando qualquer reação que pudesse escapar dali. Meu rosto queimava, eu devia estar muito vermelha, quase morrendo de vergonha por ela e por mim mesma. Aquilo era loucura demais até pra Juliette, mas ao mesmo tempo, percebi que não conseguia tirar os olhos daquela cena.
De repente, percebi que a conversa tinha mudado. Juju não estava mais brincando com o grupo geral, parecia falar apenas com uma pessoa. Era uma conversa mais íntima, mais provocativa. Uma chamada privada, pensei. Meu coração acelerou de leve, sentindo que aquilo podia ser demais pra mim. Juju realmente esqueceu completamente que estava assistindo ela do corredor a poucos metros dela.
A pessoa pediu pra ela contar uma história, e minha irmã começou sem hesitar, com uma voz doce e provocante que eu nem sabia que ela tinha.
— Nossa, teve um cara uma vez… — começou ela, mordendo o lábio lentamente, os olhos fixos na câmera como se estivesse olhando diretamente para ele. — Eu nunca esqueci. Ele sabia exatamente como me pegar. Ricardo, o nome dele.
Ricardo? Eu conhecia minha irmã bem o suficiente pra saber que não existia Ricardo nenhum. Mas não importava. Ela continuou, convincente, e de repente percebi que aquilo era uma sessão privada. Provavelmente alguém pagou só pra ouvir essa história.
— Ele fazia tudo certinho, sabe? — Juju continuou, descendo lentamente a mão pelo corpo até encontrar a calcinha preta. — Sabia como tocar, como beijar… — ela parou um instante e abriu um sorriso provocante. — Quer que eu mostre como era?
Meu coração acelerou. Antes que eu pudesse processar, Juju já estava com as pernas abertas no sofá, a mão deslizando lentamente pela pele. Meu rosto começou a esquentar. Não era minha irmã que estava me deixando assim, claro, era aquela situação absurda, a intimidade proibida, ou talvez a maneira tão natural que ela fazia aquilo, como se ninguém estivesse vendo.
— Primeiro ele gostava de me ver assim… — ela sussurrou, provocando com os dedos por cima da calcinha. — E depois… bom, depois eu vou precisar mostrar pra você, não contar.
Eu estava hipnotizada. Minha irmã era totalmente diferente de mim naquela situação. Eu nunca teria aquela coragem, aquela ousadia. A excitação que eu sentia não era por ela, era pela cena inteira, pela história, pelo clima proibido, pela adrenalina de assistir escondida.
Juju então pegou um dos brinquedos que Patricia tinha deixado, um pênis de borracha que imitava pele. Ela o ligou, olhando diretamente pra câmera.
— Era mais ou menos assim que ele fazia comigo… — falou baixinho, levando lentamente o brinquedo entre as pernas passando por cima da calcinha, enquanto soltava um suspiro que eu nunca tinha ouvido dela.
Minha respiração travou, e eu levei as mãos ao rosto, sentindo o calor subir pelo meu corpo inteiro. Não era pela minha irmã, claro. Eu não tinha tesão nela, de jeito nenhum. Mas aquela situação, aquela história que ela contava, a forma como ela se expunha tão abertamente, estava me deixando estranhamente excitada. Eu não entendia direito por quê, só sabia que sentia meu corpo quente, pulsando, enquanto assistia escondida, no escuro do corredor.
— E eu amava chupar ele assim…
Ela ergueu o vibrador, encarando a câmera com olhos brilhando de malícia. Passou lentamente a língua pela ponta, molhando tudo, como se estivesse lambendo uma gota de prazer escorrendo dali. Sem pressa, abriu bem os lábios e engoliu o brinquedo, chupando devagar, fundo, deslizando a boca sobre ele, os lábios apertados, mostrando exatamente como faria se aquilo fosse o pau duro do cara que assistia. Ela gemia baixinho enquanto chupava, provocando mais ainda, e então deslizou o vibrador úmido lentamente pela garganta, deixando que saísse de novo entre os lábios num estalo gostoso.
Juju abaixou um pouco a cabeça, abriu um sorriso sacana e, sem tirar os olhos da câmera, levou o vibrador molhado até os peitos. Começou a passar lentamente em volta dos mamilos, deixando-os brilhantes, rígidos, arrepiados pela sensação fria e úmida. Ela pressionava o vibrador contra os bicos rosados, soltando gemidinhos suaves, deslizando o brinquedo entre eles, apertando os seios como se estivesse oferecendo ao cara do outro lado tudo aquilo que ele pudesse imaginar.
Eu sentia meu corpo quente, vendo aquela cena absurda e excitante demais pra ignorar. Minha boca secou. Eu não conseguia acreditar no que estava vendo, minha irmã chupando aquele vibrador com tanto tesão e naturalidade que eu podia jurar que estava sentindo o gosto de um pau de verdade junto com ela.