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1673 palavras
8 minutos
A doutrinação pelo chicote

Capítulo 11#

Eu abaixei os braços lentamente, sentindo cada músculo protestar. Eles pareciam pesar uma tonelada, e o formigamento que tomava conta das minhas mãos era incômodo, mas suportável. Minhas pernas rígidas começaram a se mover sozinhas, levando-me na direção do banheiro do outro lado da sala. A cada passo, eu sentia os resquícios da tensão impregnados em mim, como se meu próprio corpo estivesse marcado pela submissão.

Foi só quando alcancei a porta que percebi que não estava sozinha. A garota — aquela jovem de olhar vibrante e perigoso — me seguia de perto. No instante em que entrei e me preparei para fechar a porta, sua voz soou pela primeira vez:

— Deixa aberta. Entra…

A ousadia dela me pegou de surpresa. Eu queria, pelo menos por um instante, um resquício de privacidade. Meu corpo já havia sido exposto a estranhos, minha dignidade empurrada para os cantos mais escuros da minha mente, e agora, nem no banheiro eu teria um momento de alívio? Mas, ao invés de discutir, apenas fiz o que ela pediu.

Sentei-me no vaso, ignorando a presença dela, que não tirava os olhos de mim. Diferente de mim, ela não parecia carregar nenhuma hesitação. O brilho intenso nos olhos dela era hipnotizante — algo entre curiosidade e um charme perigoso, daqueles que se disfarçam de inocência, mas escondem algo muito mais profundo.

— Para quem recebe para ser vista, você gosta muito de se esconder.

Eu não respondi imediatamente. A provocação era nítida, mas havia uma diversão oculta em sua voz, como se estivesse apenas brincando comigo.

— Qual o seu nome? — perguntei, enfim.

— Prazer, Natália.

— Luana.

— Madame Lulu é mestre em etiqueta e é ela quem vai te ensinar tudo. Eu sou a assistente dela. Agora, me dá o seu braço.

Meu olhar se fixou nela por um instante, desconfiado. Eu ainda estava ali, sentada no vaso, sem conseguir relaxar o suficiente para fazer xixi, e essa garota simplesmente agia como se estivéssemos tomando um café juntas. Mas estendi o braço.

Seus dedos hábeis começaram a pressionar meu antebraço em uma massagem firme, o suficiente para que, quase instantaneamente, a dormência começasse a desaparecer. Um alívio inesperado percorreu meu corpo, e um suspiro escapou dos meus lábios.

— Ai… isso é bom…

E então, meu corpo finalmente cedeu, e o xixi saiu. A vergonha veio imediatamente, mas, ao invés de silêncio constrangedor, ouvi a risada de Natália se misturar à minha.

— Sempre que você ficar dormente, isso ajuda muito — explicou ela, os dedos ainda deslizando pela minha pele. — Mexer os dedos dos pés e das mãos também funciona. Mas a Madame vai te ensinar posições melhores, pra evitar que isso aconteça. A não ser que ele queira, claro…

Minha expressão mudou. Eu a encarei pelo reflexo no espelho, absorvendo cada palavra.

— Ele queira? — minha voz saiu mais baixa do que eu pretendia. — Você também faz isso?

Natália deu de ombros, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

— Se me contratarem, sim.

— Você é nova. Desde quando faz isso?

Ela se calou por um instante, o sorriso brincalhão desaparecendo levemente.

— Prefiro não falar disso. Discrição e fazer poucas perguntas são a chave desse negócio.

Engoli seco.

— Obrigada…

Ela apenas assentiu, soltando meu braço. O formigamento já não incomodava mais. Me limpei, e quando ergui os olhos para o espelho, percebi algo curioso. Natália ainda me olhava, mas não como antes.

Seu olhar percorreu meu corpo sem pressa, analisando, julgando… desejando. Um arrepio subiu pela minha espinha. Ela não fazia questão de disfarçar.

Ela é sapatão.”

O pensamento veio como um lampejo certeiro. O jeito que me olhava não era casual, nem profissional. Era faminto.

— Eu estou no meu horário de descanso, pode parar de me olhar?

Natália sorriu, sem nem se dar ao trabalho de negar.

— O trabalho nunca acaba. O turno é de 24 horas, capitão!

Revirei os olhos, mas um riso baixo escapou de mim antes que eu pudesse conter. Ela era ousada. E pior… divertida. Lavei as mãos, respirando fundo antes de encarar a porta. Criando coragem para voltar e quando juntei o suficiente, cruzei a porta.

Quando retornamos, Madame Lulu já nos aguardava. De pé, imóvel, seus olhos nos analisavam sem qualquer pressa. Não precisou erguer a voz para que sua ordem soasse inquestionável:

— Retornem. Natália, mostre a ela como se deve andar.

A jovem parou, respirou fundo e, com um movimento fluido, jogou os cabelos para trás, certificando-se de que seu rosto ficasse completamente visível. Suas mãos deslizaram suavemente para as laterais do corpo, não totalmente soltas, mas levemente voltadas para o centro. O queixo permaneceu erguido, mas os olhos, submissos, baixaram. Então, ela caminhou.

Seus passos eram lentos, precisos. Como se um fio invisível ligasse seus tornozelos, guiando-a a um ritmo controlado, sem hesitação, sem pressa. Cada movimento parecia ensaiado, quase hipnótico.

Eu observei atentamente, tentando absorver cada detalhe. Quando senti que havia compreendido, fiz o mesmo.

A princípio, meus pés hesitaram, e o controle não veio de imediato. Mas, aos poucos, fui me moldando àquele padrão, sentindo a vulnerabilidade do andar meticuloso se infiltrar na minha postura.

— Muito melhor.

Madame Lulu sorriu de leve, satisfeita. Seus passos firmes a levaram até um armário, onde repousavam os chicotes. Sem pressa, percorreu os dedos sobre os cabos até escolher um. Quando o puxou, vi que era um chicote de cavalaria, fino, com um pedaço de couro na ponta.

Natália reconheceu a escolha no mesmo instante. E, por mais que tentasse manter a compostura, não conseguiu evitar que um sorriso sutil escapasse de seus lábios.

— Deste você gosta, não é, filha?

— Sim, mamãe. E muito! Por favor… só uma vez!

A mulher se aproximou lentamente, deslizando o chicote pelo rosto de Natália, traçando sua mandíbula com a ponta do couro antes de percorrer suas curvas com um toque quase carinhoso. Então, sem aviso, ergueu o braço e desferiu o primeiro golpe, acertando sua bunda coberta pelo jeans.

O som cortou o ar como um estalo seco. O impacto foi forte, mas a jovem não demonstrou dor. Apenas soltou uma respiração curta, um arfar involuntário que carregava algo além da simples resistência.

Madame Lulu sorriu com um ar de divertimento contido.

— Veja, Luana. Ela é treinada. Mas essa menina acha que eu não sei que isso lhe dá prazer…

O tom de sua voz era frio, como quem explica uma teoria já comprovada.

— Confesso que a eduquei mal. Mas esse não é o tipo de servidão que o seu senhor deseja de você.

Meus olhos se fixaram nela, enquanto Natália, sem precisar de uma única ordem, se ajoelhava diante de nós.

Ajoelhou-se com as pernas ligeiramente afastadas, as mãos estendidas à frente e o rosto erguido, visível. Não havia hesitação, nem medo. Apenas um vazio absoluto.

E então, Madame Lulu começou.

Os golpes vieram ritmados, cadenciados, crescendo em intensidade. O som seco das chicotadas preenchia o ambiente, reverberando como uma batida surda dentro do meu peito. Eu sabia que aquilo deveria doer. A pele dela ficaria marcada. Mas Natália… não reagia.

Seu rosto permaneceu impassível. Seu olhar não tremia. Era como se estivesse em outro plano, distante da dor que qualquer outro sentiria.

A mulher parou, satisfeita com sua aprendiz.

— Pode se levantar, tesouro. Lhe machuquei?

Natália se ergueu com a mesma calma com que havia se ajoelhado. Seu rosto continuava sereno.

— Não, mamãe. Esse chicote não é dos melhores.

Minha garganta secou.

Enquanto observava aquela cena, só conseguia pensar em uma coisa: eu odeio sentir dor!

— Agora é sua vez, Luana. Experimente a pose.

Minha garganta secou. Ainda assim, obedeci. Ajoelhei-me, imitando a posição de Natália. No instante em que meus joelhos tocaram o chão e minhas mãos se estenderam à frente, senti a vulnerabilidade daquela postura. O ar frio percorreu minha pele exposta, trazendo um arrepio estranho, desconfortável. Eu já havia ficado assim antes… mas nunca dessa maneira. Essa posição me remetia ao sexo, a algo íntimo e prazeroso. Agora, era diferente.

Madame Lulu se aproximou, ajustando minha postura com toques sutis da ponta do chicote. O couro roçava minha pele com um atrito suave, mas que, de alguma forma, me deixava em alerta. Cada vez que se movia, eu esperava o sibilo no ar. E só de imaginar, meu corpo já se enrijecia.

— Muito bem, Luana. Você tem predisposição para isso — sua voz era suave, mas firme. — Estar tensa é natural. Você se adaptará. E verá que eu não sou cruel.

O chicote deslizou pelo meu rosto e desceu pelas costas, riscando um caminho lento e calculado.

— Por vezes, ele vai querer coisas de você que você não deseja dar.

Minha respiração ficou irregular. O couro continuava seu trajeto pela minha espinha, como um aviso silencioso.

— E você terá que dar a ele o que ele quer. Mas não de uma vez. Nunca se entregue fácil. Nunca demonstre que aceita tudo sem resistência… ou ele se cansará de você.

O chicote parou sobre minha nádega, pressionando levemente a pele. Meu corpo inteiro se retesou. Eu sabia o que viria.

— É um jogo, um teatro. Ele quer te corromper. Quer te consumir.

O couro deslizou novamente, desta vez descendo pelo meio da minha bunda. Foi instintivo: meu corpo se contraiu sem que eu pudesse controlar. E então, a chicotada veio.

Rápida. Quente. Dolorida.

— Ai… — a exclamação escapou antes que eu pudesse segurá-la.

Madame Lulu não reagiu, apenas continuou sua explicação como se o golpe fosse um detalhe irrelevante.

— Ele pode querer sua dor. Seu desespero. Mas pode querer seu silêncio. Você estará pronta quando aprender a ler seus desejos… e a entregá-los na medida certa.

O chicote abandonou a pele ardida e deslizou lentamente entre minhas nádegas, riscando a entrada apertada do meu corpo. O toque inesperado me fez prender o ar. O atrito, a sensação… algo em mim despertou, uma fagulha incômoda de desejo.

Ela percebeu.

O couro pressionou levemente contra meu ânus, uma ameaça silenciosa. Meu corpo ficou rígido, minha mente gritou.

— Você está disposta a tudo?

O medo engoliu qualquer outra emoção. Minha voz saiu baixa, mas firme:

— Não, Madame.

Um silêncio cortante se instalou.

— Como, querida?

— Eu disse não, Madame.

Madame Lulu não sorriu, mas algo em sua postura indicava satisfação.

— Bom saber que há limites para serem rompidos. Isso me agrada.

O chicote deslizou para longe, libertando-me daquele toque.

— Mas vamos quebrando isso… aos poucos.

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