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1165 palavras
6 minutos
Um orgasmo deselegante

Capítulo 3#

Quando eu menstruava, era um fenômeno à parte. Mesmo com o corpo meio moído, a Valentina ficava elétrica, quente e absurdamente sensível. A cada toque, parecia que ela estava num show pirotécnico particular. E olha, as penetrações? Um espetáculo! Desde que você não se importasse com a bagunça, claro.

Deitei na cama, ainda enrolada na toalha, e peguei o celular. Meu vibrador – quer dizer, meu “massageador” plugado na tomada – já estava ali, pronto para o serviço.

— Vai botar um filminho ou vamos direto ao que interessa? — Valentina soltou, impaciente.

Olhei pro celular, rolando o feed sem nem prestar atenção. Minha mente já estava em outro lugar, ou melhor, em outra parte do meu corpo que pulsava de expectativa.

— Se decidir ficar só rolando essa tela, eu mesma vou puxar a tomada desse massageador e resolver na unha — Valentina resmungou.

— Calma, mulher! — respondi, rindo.

— Mulher, não. Sou sua boceta. E, no momento, estou clamando por atenção.

Suspirei, sabendo que resistir era inútil. Abri meu app de vídeos favoritos e comecei a procurar algo que combinasse com o clima do dia.

— Escolhe bem, hein? Se botar um daqueles vídeos com gemido falso, eu desligo na hora — Valentina advertiu.

— Exigente, hein?

— Eu tenho um padrão de qualidade, querida. Se é pra me dar entretenimento, que seja direito!

Continuei procurando, até que achei um que parecia promissor. Dei play, aumentei um pouquinho o volume e deslizei minha mão devagar pela barriga, descendo aos poucos…

— Ahhh, finalmente, ação! Já tava achando que ia precisar redigir uma reclamação formal.

Revirei os olhos, mas não segurei o sorriso. Liguei o massageador, sentindo a primeira vibração suave.

— Aí sim, patroa! Pode mandar ver, que hoje eu tô no modo premium!

E a noite prometia…

A primeira vibração fez meu corpo arrepiar na hora. Eu deslizei o massageador pela coxa, subindo devagar só pra aumentar a expectativa. Valentina, claro, já estava impaciente.

— Amada, eu sou sensível, mas também tenho limites. Para de frescura e vem logo com tudo!

— Deixa eu criar um clima, pô! — retruquei, mordendo o lábio enquanto aumentava um pouco a intensidade.

— Clima? Quer que eu acenda umas velas aqui dentro? Porque do jeito que tá quente e molhado, eu sou praticamente um spa aromático natural!

Tive que rir, mas logo minha respiração ficou mais curta quando encostei o massageador onde realmente importava. A onda de prazer veio forte, e eu gemi baixinho.

— Ahhh, agora sim! É disso que eu tô falando! Isso, vai… Ah, tá no ponto certinho… não, pera, desce só um pouquinho… AI, AÍ! ISSO!

— Caralho, Valentina, deixa eu me concentrar!

— Eu só tô dando um feedback, pô! Pode continuar, tá indo bem. Vou até dar nota.

Eu aumentei a intensidade, e foi como se um choque elétrico delicioso percorresse meu corpo. Minhas pernas tremeram, e Valentina praticamente uivou de felicidade.

— ISSO, MINHA FILHA! AGORA TU TÁ PILOTANDO UMA FERRARI, PORRA!

— Cala a boca! — Eu ri, ofegante, tentando me entregar completamente ao momento.

A vibração se intensificava entre minhas pernas, enviando ondas de prazer pelo meu corpo. Meus músculos ficaram tensos, como se cada nervo estivesse em alerta máximo, à beira do colapso.

Eu gemi, baixo no começo, mas conforme a sensação crescia, meu corpo se entregava mais e mais. Minha respiração se tornou errática, meu peito subia e descia rapidamente, enquanto meu quadril se movia involuntariamente, buscando mais, querendo mais.

O massageador deslizava no ponto exato, enviando choques deliciosos para cada canto do meu ser. Meus dedos apertaram os lençóis, minha boca se abriu sem que eu pudesse controlar, e meu ventre se contraiu numa espiral crescente de tensão.

— Isso… — sussurrei para mim mesma, completamente imersa na sensação que se acumulava ferozmente, me dominando.

O calor aumentava, o pulsar se intensificava. Cada movimento era uma provocação insuportável e deliciosa ao mesmo tempo. Minha pele estava febril, meu corpo queimava de desejo, e então…

Uma onda avassaladora me atingiu de uma vez. Minha cabeça tombou para trás, meu corpo arqueou na cama enquanto um choque de prazer me atravessava de dentro para fora. Minhas coxas tremeram e um gemido rouco escapou dos meus lábios, longo, profundo, incontrolável. Por alguns segundos, eu não estava mais ali. Só existia aquela sensação que parecia durar para sempre, me deixando sem ar, sem pensamento, apenas completamente entregue ao prazer.

Quando finalmente relaxei, meu corpo caiu contra o colchão, mole, exausto, mas deliciosamente saciado. Meu peito ainda subia e descia com força, meu coração batia desenfreado.

Um sorriso satisfeito se formou no meu rosto enquanto eu deslizava minha mão pelo meu próprio corpo, sentindo o calor que ainda pulsava dentro de mim.

— Agora sim… — murmurei, ainda com os olhos fechados, deixando a última onda de prazer se dissipar lentamente.

No fundo, eu sabia que Valentina queria falar alguma coisa. Mas, pela primeira vez em muito tempo ela ficou em silêncio. Como se também estivesse saboreando aquele momento junto comigo.

— Valentina… você morreu? — perguntei, a voz fraca, ainda recuperando o fôlego.

Por alguns segundos, nada. Nenhuma resposta. Comecei a me preocupar de verdade.

Até que…

— Se isso for a morte, minha filha, então eu vivi errado esse tempo todo!

Soltei um riso preguiçoso, ainda me recuperando.

— Puta que pariu, que surra… Eu tô tremendo ainda — murmurei, passando a mão pelo meu próprio corpo, sentindo o leve formigamento do pós-orgasmo.

— Tremendo? Eu entrei em coma por uns cinco segundos, pelo amor de Deus. Minha alma quase descolou do meu clitóris!

— Drama.

— Drama? DRAMA?! Amada, eu passei por um terremoto de prazer e você vem me chamar de dramática? Isso foi um evento sobrenatural! Tô achando que invocamos alguma entidade do sexo aqui!

Revirei os olhos, rindo baixo, mas não podia negar: tinha sido estranhamente intenso.

— Pelo menos agora você vai me dar paz por uns dias?

— Paz? Querida, depois de um negócio desses, eu tô é com sede de mais! Agora que descobrimos essa potência toda, minha filha, tu te prepara!

Eu ri, balançando a cabeça.

— Pelo menos me deixa dormir primeiro.

— Beleza, pode descansar… mas amanhã a gente conversa.

Eu sorri de olhos fechados, aproveitando aquele estado de plena satisfação. Meu corpo estava entregue, completamente entregue… solto… talvez solto até demais.

E então aconteceu.

Um peido.

Baixinho, mas inegavelmente presente.

O silêncio virou constrangimento imediato. Eu arregalei os olhos, sentindo o calor subir pelo rosto.

Foi aí que Valentina quebrou o silêncio:

— O QUÊ?! DEPOIS DE TUDO ISSO, É ASSIM QUE VOCÊ ME AGRADECE?!

— Merda… — murmurei, enfiando o rosto no travesseiro.

— Não foi merda, mas passou perto! EU TÔ AQUI TODA SENSÍVEL, TODA VIVA, E TU ME SOLTA UM TROÇO DESSES NA CARA DO GOL?!

— Foi involuntário! Eu tou muito relaxada!

— RELAXADA? EU TOMEI UM ORGASMO E UM TRAUMA NO MESMO MINUTO, ISSO SIM!

Comecei a rir, completamente derrotada.

— Olha, pelo menos significa que eu realmente gozei bem, né?

— Vai dormir, Roberta. Só vai dormir antes que você resolva piorar ainda mais meu dia.

Ainda rindo, puxei o cobertor e fechei os olhos. Valentina bufaria se não tivesse um absorvente proibindo e ficou em silêncio. E assim terminou mais uma noite de prazer, um orgasmo memorável… e um encerramento nada elegante.

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